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Índios da Raposa querem integração

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: LEANDRO FREITAS
13 de Jun de 2003

O ex-tuxaua Abel Raposo entregou documento a Márcio Thomaz Bastos

Na manhã de ontem, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, esteve na Serra do Sol e Comunidade Raposa, no município de Normandia. Nas duas localidades, os índios se posicionaram contra a homologação em área contínua. Eles querem que, da reserva, sejam excluídas cidades e vilas, estradas e áreas produtivas.

O presidente do Conselho do Povo Ingaricó, Dilson Ingaricó, disse que os índios dessa etnia querem ser representados por eles mesmos e não por qualquer vínculo político. Acrescentou que mesmo assim, o governo estadual tem que ajudar no desenvolvimento das comunidades indígenas. "A demarcação integrada, como queremos, dá o direito de os índios trabalharem e isso ajuda a desenvolver a comunidade nos pontos que mais necessitamos", afirmou.

Sobre a possibilidade da homologação em área contínua, Dilson Ingaricó, afirmou que isso trará problemas para os povos, uma vez que mesmo antes de ser homologada, os índios já enfrentam dificuldades de acesso, falta de transporte e o necessário ao desenvolvimento da comunidade. "Isso vai dificultar o atendimento na área de Saúde e Educação. Além disso, ficaremos isolados", frisou.

Mantendo a mesma linha de discurso, a agente de Saúde daquela comunidade, Narcisa Joaquim Barbosa disse que seus antepassados viveram sem nenhuma preocupação e agora existe essa diferença social entre índio e não-índio. Conforme ela, a vinda do ministro era o momento exato para se buscar o consenso porque não adianta estar derramando sangue dos índios por causa das terras.

"Apesar de nunca ter havido entendimento entre índios e brancos em todo o país, gostaria que o ministro Márcio Thomaz Bastos pensasse e agisse como um índio porque o Brasil é administrado por indígenas", declarou a agente de Saúde.

RAPOSA - A segunda visita do dia na agenda do ministro da Justiça, foi à Comunidade Raposa. Lá, ele foi recepcionado com o canto dos hinos Nacional e do Estado. Logo em seguida começaram as explanações sobre a homologação da área.

O tuxaua da Comunidade Napoleão, Davi Marcos Napoleão, espera que o ministro leve uma decisão firme para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Esperamos que o enviado do Governo Federal leve a realidade de nossas comunidades. Não temos duas caras. Queremos somente o desenvolvimento e o progresso acompanhado da tecnologia", disse, ao alegar que dera seu voto a Lula, por isso, não queria qualquer discriminação.

"Temos capacidade de alcançar o branco. Não aceitamos mais ser dominados sem nenhum projeto que vise o avanço da tecnologia", afirmou. Para ele, a homologação em área contínua, como querem as aldeias ligadas ao Conselho Indígena de Roraima (CIR), não trará o desenvolvimento das demais comunidades, porque, a Raposa, é uma das mais organizada e estruturada.

O professor de Matemática e ex-tuxaua, Marco Coline, disse que sua etnia quer uma comunidade auto-sustentável, baseada na homologação em princípios humanos. "Esperamos que o ministro tome uma decisão sábia. Estudamos em escolas e Universidades dos brancos e por isso não podemos viver isolados do mundo".

MINISTRO - Como fez em outras ocasiões, o ministro Márcio Thomaz Bastos, disse que veio a Roraima para ouvir e colher elementos para uma decisão que caberá ao presidente da República. Mesmo assim, reiterou que a decisão sobre a homologação será rápida.

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