Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
06 de Mai de 2005
As cinco medidas anunciadas pelo Governo Federal não agradou aos indígenas nem aos representantes da Secretaria de Assuntos Indígenas, que participaram de todas as reuniões realizadas nas últimas semanas para chegar a um consenso sobre os investimentos necessários para desenvolver a reserva Raposa/Serra do Sol.
"Nós não ficamos satisfeitos com essas medidas, a não ser o financiamento do Basa. Os outros pontos não foram discutidos conosco nem são nossas propostas. Nas nossas reivindicações queremos justamente a permanência das pessoas que estão na reserva e não a retirada", lamentou o macuxi Jonas Marcolino, tuxaua do Contão e membro da diretoria da Sodiur (Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima).
Ele afirmou que nem o financiamento satisfaz plenamente as expectativas das comunidades, que esperavam o lançamento de uma linha de crédito exclusiva, com juros menores.
O presidente da Sodiur, José Novaes, lembrou aos 15 representantes de órgãos federais que compõem o Comitê Gestor que as lideranças indígenas não pediram a indenização, mas recurso financeiro para investir na Raposa. "Nas áreas onde houve fazendas indenizadas, os parentes estão morrendo de fome", protestou.
Alfredo Nascimento, que fala em nome dos índios da área São Marcos, lembrou que a demanda por energia elétrica não se resume às escolas, mas a todas as comunidades e insumo para o incremento da produção.
O secretário-adjunto de Assuntos Indígenas, Wilson Jordão, comentou que a União deveria ter apresentado propostas concretas para a efetiva aplicação de recursos na área. Segundo ele, é preciso investir pelo menos R$ 20 milhões na criação de gado, R$ 10 milhões no cultivo e processamento da mandioca e mais R$ 8 milhões em piscicultura.
"Era isso que nós esperávamos do governo, mas o que se percebe é que estamos patinando em reuniões sem resultado algum. Isso deixa os índios intranqüilos e inseguros", destacou.
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