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Índios contra homologação não aceitam reunião com Mércio a portas fechadas

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
08 de Jul de 2004

Apenas as lideranças ligadas ao Conselho Indígena de Roraima (CIR) reuniram-se na tarde de ontem com o presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes. As lideranças ligadas à Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiur) recusaram a reunir-se a portas fechadas. Eles queriam que o advogado Luiz Waldemar e a imprensa participassem da reunião.
Como Mércio não cedeu às exigências, os índios contrários à homologação contínua da reserva Raposa/Serra do Sol exigiram que pelo menos a reunião fosse filmada por uma empresa contratada que não fosse vinculada aos meios de comunicação local. Mais uma vez Mércio disse não.
Os 50 líderes que se encontravam na sede da Funai retiraram-se do local sem que a reunião fosse realizada. À tarde, os presidentes da Sodiur, Aliança de Integração e Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima (Alidcirr) e Associação Regional Indígena dos Rios Kinô, Cotingo e Monte Roraima (Arikon) procuraram a Folha para reclamar que não participaram da reunião por sentirem-se discriminados pelo presidente da Funai.
Segundo a presidente da Alidcirr, Jucerlania de Souza Lima, as lideranças favoráveis à homologação da Raposa/Serra do Sol em ilhas foram desrespeitadas pelo presidente da Funai. Segundo ela, Mércio é apenas um servidor federal que presta serviço às comunidades indígenas e que não poderia chegar aqui exigindo uma reunião a portas fechadas com as lideranças.
Segundo ela, as reivindicações por parte destas lideranças já são de conhecimento público e de nada adiantaria uma reunião secreta. Jucerlane disse que a preocupação em gravar a reunião se deu em virtude da possibilidade de Mércio comunicar um acordo que não foi feito. Pois, segundo ela, a palavra do presidente teria mais importância para a imprensa do que a palavra dos líderes indígena, uma vez que não haveria como provar algo que não foi registrado.
Jucerlane disse que Mércio deveria passar pelo menos um mês no Estado para que conhecesse in loco as comunidades indígenas que vivem nas regiões pretendidas.
Caso a reunião acontecesse, uma pauta com reivindicações foi elaborada para ser apresentada a Mércio pelos líderes contrários à homologação. No documento, os índios solicitam que os R$ 12 milhões disponibilizados para indenizações de fazendas sejam utilizados em projetos dentro das comunidades indígenas.
Querem autorização da licitação da Usina hidroelétrica do Cotingo, dentro da reserva e a liberação de financiamento bancário para os índios, além de reivindicarem a nomeação do tuxaua Davi marcos Napoleão, da comunidade do Napoleão, ou o técnico da Embrapa Ozélio Izidoro, da comunidade do Barro, para assumir a administração regional da Funai.
Outro documento enviado à Funai pede que sejam tomadas as providências para a libertação dos três índios que se encontram preso na Cadeia Pública de Boa Vista sob a acusação de crime de descaminho de combustível. Para que a prisão deles seja relaxada, uma fiança no valor de R$ 4.511,00 deverá ser paga à Justiça.

CIR - O coordenador do CIR, Jaci José de Souza, disse que a reunião com o presidente da Funai foi a mais amistosa possível. Eles aproveitaram para solicitar mais rigor nas áreas indígenas a fim de proibir bebidas alcoólicas nas comunidades. Ratificaram a vontade de que os prédios públicos que se encontram dentro da área indígena permaneçam nos limites da reserva, além de outras reivindicações que já são de conhecimento de Mércio.

PRESIDENTE - Após a reunião com lideranças ligadas ao CIR, Mércio disse que permanecerá durante todo o dia de hoje na sede da Funai, disposto a reunir-se com as lideranças ligadas a Sodiur. Mas afirmou que somente se reunirá com os indígenas e, se for necessário, convocará a imprensa para falar sobre os assuntos tratados na reunião.

Quanto aos índios presos na Cadeia Pública, ele disse que a Procuradoria da Funai já está tomando as providências no sentido de resolver a situação. Mas os índios já constituíram advogado de defesa e não cabe, nestes casos, dois defensores, segundo ele.
O sobrevôo nas áreas indígenas não será possível, uma vez que o piloto que levaria a comitiva encontra-se doente e o proprietário das aeronaves não poderá acompanhá-los por estar envolvido na repercussão dos últimos acontecimentos com o avião de sua companhia, que caiu em área indígena.
Mércio disse que permanecerá no prédio da Funai à espera de uma possível reunião com as lideranças indígenas ligadas a Sodiur. Não houve nenhuma alteração na programação de volta a Brasília, que deverá acontecer na madrugada desta sexta-feira. (T.B)

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