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Índios continuam em batalha na fazenda de Juti por terras

Correio do Estado-Campo Grande-MS
Autor: Antonio Viegas
14 de jun de 2002

O Ministério Público Federal e a Funai de Dourados vão se reunir hoje com os índios que estão acampados na Fazenda São Miguel Arcanjo, em Juti. A intenção é discutir com a comunidade uma melhor forma de resolver o problema da ocupação daquela área, para evitar conflitos entre indígenas e proprietários da terras.
As lideranças indígenas ameaçam com um novo confronto ou invasão, caso não haja solução para o impasse. Por enquanto, a situação está calma, em função da reunião.
A Fazenda São Miguel Arcanjo, com 900 hectares, já tem praticamente a metade da área ocupada por 450 famílias de índios. Esse local já foi declarado como terra indígena pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.
Os índios não estão satisfeitos com essa área declarada pelo Governo, agora, exigem o restante da propriedade. Há quase dois anos, já houve um princípio de invasão nessas terras. A situação só foi controlada mediante um acordo feito pelo Ministério Público Federal.
Nesse acordo, o proprietário da área, Miguel Subtil, prometeu deixar os índios no local onde estão, sem nenhuma tentativa de expulsão. Em contrapartida, os indígenas não tentariam invadir o restante da área, aguardando uma resposta do Ministério Público que prometeu auxiliá-los. Como o processo demorou muito, as lideranças da aldeia ameaçaram romper o acordo, mas foram contidas pelos atuais procuradores.
Ontem o procurador federal Ramiro Rockembach explicou que o Incra está sendo contactado, para verificar a possibilidade de desapropriação, em favor dos índios, da área restante da Fazenda São Miguel Arcanjo e essa pode ser uma das respostas que devem ser levadas para a comunidade daquela aldeia no próximo sábado. O mediador da reunião será o procurador da República Charles Stevan da Mota Pessoa, que junto o chefe da Funai, Jonas Rosa, vai tentar esclarecer aos índios a atual situação e possivelmente levar uma resposta a respeito do restante da área.
A intenção da Procuradoria da República é ouvir toda a comunidade e não apenas a liderança, como vem ocorrendo, e tirar desse encontro idéias que possam contribuir para a solução do impasse. Charles Stevan disse que é necessário buscar todos os meios possíveis de negociação, para que não aconteça um conflito que venha a prejudicar não só a comunidade indígena como o proprietário e também dificultar todo o processo.

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