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Índios cobram prestação de contas do desvio no convênio Uni/Funasa

A Gazeta do Acre-Rio Branco-AC
Autor: TATIANA CAMPOS
22 de Jul de 2004

Os conselhos Fiscal e Deliberativo do convênio Uni/Funasa querem que os administradores envolvidos no desvio de verbas da entidade prestem contas às comunidades indígenas. As suspeitas são de que pelo menos R$ 3 milhões, segundo o conselheiro Assis Brandão Shanawá, tenham sido desviados.
Para ouvir os administradores do convênio, os conselhos organizaram uma reunião, que acontece hoje e amanhã no auditório do Museu da Borracha, e convidaram a Uni, Funasa, Funai e demais entidades envolvidas com as causas indígenas. O Conselho Fiscal é formado por três conselheiros e três suplentes e o deliberativo é composto por 11 membros, todos são representantes de diversas etnias indígenas.
"Nós nos reunimos hoje em Rio Branco (ontem), cada um veio de sua comunidade e queremos voltar com uma resposta. Todos sabem do problema que houve com o convênio e isso é vergonhoso para os índios. O relatório da auditoria que veio de Brasília deixa muitas dúvidas e constata várias irregularidades, como dinheiro empregado em outras finalidades, que não são as previstas no convênio e a Uni não sabe explicar onde esse dinheiro foi aplicado", comentou o conselheiro deliberativo Joaquim Yawanawá.
Os conselheiros acreditam que os administradores do convênio, que visa oferecer atendimento na área de saúde para os índios diretamente nas aldeias, são os responsáveis pelo desvio de dinheiro. "Queremos que a Funasa se explique também porque as decisões não eram tomadas só pela Uni", disse o conselheiro fiscal José Nogueira da Cruz, do povo Arara.
O convênio está parado e ações de saúde nas aldeias, consequentemente, não estão acontecendo. "Houveram muitas irregularidades e queremos saber quais são. Vamos tentar corrigir os erros, apurar os fatos e os atores envolvidos e pedir que a Justiça tome providências", explicou José Cruz.
De acordo com um levantamento feito pelo Conselho Fiscal, de 2001 para cá foram liberados R$ 12 milhões para as 13 prefeituras que participam do convênio.
"O convênio é dividido em dois tipos: no primeiro o Ministério da Saúde repassa o dinheiro direto para as prefeituras e no outro a verba vai para a Uni. Acreditamos que existem irregularidades nos dois tipos, mas estamos apurando e queremos as explicações", alertou o conselheiro fiscal.

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