Rádio Câmara-Brasília-DF
Autor: Adriana Magalhães
29 de Abr de 2003
A Câmara dos Deputados sediou na última sexta-feira (25) a abertura do Encontro Nacional dos povos e Organizações Indígenas do Brasil. O evento, ocorrido no auditório Nereu Ramos, foi marcada pelo canto dos índios, um minuto de silêncio pelos parentes assassinados e uma faixa com os dizeres "Queremos urgência na definição da política indigenista do governo Lula". Durante a abertura, os índios salientaram que apesar da confiança no Governo Lula, eles se ressentem de não terem presenciado, até agora, ações na defesa dos interesses indígenas. "Certas demarcações que só precisam de uma assinatura do Executivo Federal, de fato, não acontecem, o que está nos preocupando", explicou o coordenador-geral das Organizaçõse Indígenas da Amazônia Brasileira, Jecinaldo Satere-mawé.
Nesta semana, cerca de 120 lideranças representando os 345 mil índios brasileiros realizam o Encontro em Luziânia (GO) para unir forças e traçar os rumos para o movimento indígena brasileiro.
FRENTE PARLAMENTAR
Na quinta-feira passada, os deputados manifestaram sua sensibilidade com o assunto lançando a Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Indígenas. O deputado Edson Duarte (PV-BA), que representou a Frente Parlamentar no evento, disse que é preciso efetivar uma política para os índios. "A primeira grande reivindicação é a questão da terra. Se o problema da terra não for resolvido, se as terras indígenas não forem homologadas, a violência persistirá e os índios continuarão morrendo", enfatizou o deputado.
Durante várias vezes na reunião, os índios ressaltaram que querem ser ouvidos pelo presidente Lula, sem intermediários. Esse encontro vai se concretizar na quarta-feira (30), numa audiência no Palácio do Planalto.
DOCUMENTO
Durante o encontro desta semana, os índios vão elaborar uma proposta de política a ser apresentada ao Governo. Para Jecinaldo, as prioridades são a regularização de todas as terras indígenas e a retirada dos invasores. Na opinião do líder indígena, a medida vai resolver, inclusive, o problema dos assassinatos de índios, que somente em 2003 foram oito. Iniciativas em saúde e educação voltadas para a realidade indígena também estão entre as prioridades.
O índio Álvaro Tucano, que faz parte da assessoria de assistência da Funai, explicou que o desejo do Governo é resolver as questões indígenas.
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