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Índios ameaçados

CB, Brasil, p. 9
21 de Ago de 2009

Índios ameaçados
Funasa treina funcionários para tratar a enfermidade nas aldeias. Já houve três mortes

Rodrigo Couto

Os índios também já estão entre os atingidos pela Influenza A (H1N1), popularmente conhecida como gripe suína. Três deles perderam a vida e outros 18 tiveram confirmação da doença. Os números podem parecer pouco expressivos, mas a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) está em alerta. Por comumente viverem isolados, esses povos são mais suscetíveis a doenças ligadas ao sistema respiratório. Em função disso, as autoridades preveem aumento do número de casos depois de finalizar treinamento dos funcionários dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) (1)para a coleta do material biológico necessário ao diagnóstico. Hoje, os exames são recolhidos por equipes do Sistema Único de Saúde (SUS) vinculadas aos municípios.

Sem revelar números, a Funasa avalia que, depois do treinamento dos funcionários para a coleta do material biológico dos pacientes com sintomas da gripe suína - febre igual ou superior a 38o, tosse, coriza e dores de garganta e musculares -, os casos confirmados da doença devem crescer. "Esperamos elevação, mas não vamos medir esforços para evitar óbitos. Aliás, essa é nossa meta: diagnosticar o maior número de doentes para iniciar o tratamento e eliminar o risco de morte", afirma Flávio Nunes, coordenador-geral da Atenção à Saúde Indígena da Funasa.

O treinamento, que será realizado no Laboratório Central de Curitiba, deve começar na primeira quinzena de setembro para 23 funcionários dos Dseis das regiões Sul e Sudeste. Em seguida, participam os trabalhadores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. "Logo depois da preparação dessas pessoas, teremos capacidade de coletar o material necessário para ser enviado aos laboratórios de referência no diagnóstico da nova gripe (Aldolfo Lutz, em São Paulo, Evandro Chagas, em Belém, e Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro)", diz Nunes. "A medida também visa desafogar o SUS", acrescenta.

Ao contrário do Ministério da Saúde, que decidiu monitorar apenas os óbitos e casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a Funasa optou por acompanhar todos os casos de síndrome gripal. "Em virtude da fragilidade dos índios, é importante estar atento às gripes, pois podem evoluir para casos graves. Nesse sentido, faz-se necessário verificar todos os pacientes", afirma Flávio Nunes, coordenador-geral da Atenção à Saúde Indígena da Funasa.

Vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Liebgott afirma que equipes de saúde da Funasa, vinculadas aos municípios, têm disseminado informações suficientes sobre a gripe suína entre os índios. "Se por um lado há esclarecimentos, por outro falta água potável em algumas tribos. Isso pode favorecer o surgimento de outras doenças", alerta. O que mais preocupa, segundo Liebgott, é a umidade, a chuva e o frio que atingem o Rio Grande do Sul. "Uma das vítimas da doença faleceu em Santa Maria", lembra.

Tamiflu

Questionada sobre a possibilidade de um surto da gripe A entre os índios, a Funasa diz estar preparada. Em média, cada um dos 34 Dseis recebeu 100 kits de tratamento de Tamiflu (fosfato de oseltamivir), fármaco indicado ao tratamento da enfermidade. "Além dos remédios, liberamos R$ 8 mil para cada distrito comprar os insumos necessários à prevenção."

Dos 18 casos confirmados de Influenza A entre os indígenas, 15 estão em São Paulo e três no Rio Grande do Sul. Dois dos índios que morreram moravam em uma aldeia paulista. O outro, em terras gaúchas.

1 - Saúde integral
Instalados em todo o país, os 34 distritos sanitários têm a missão de oferecer saúde integral e diferenciada aos índios brasileiros. Sob o comando da Funasa, os Dseis integram o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, que funciona com os mesmos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) indígena: descentralização, hierarquização e regionalização.

CB, 21/08/2009, Brasil, p. 9

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