VOLTAR

Índios abandonados agora moram de favor no Nova Cidade

D24 AM - www.d24am.com
Autor: Kleiton Renzo
12 de Ago de 2010

No último dia 16 de julho, a Suhab havia retirado nove famílias que tinham apresentado o Registro Administrativo de Nascimento Indígena (Rani). As demais foram deixadas no local.

Manaus - Pelo menos três famílias indígenas ainda esperam pelas moradias prometidas pela Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab) no conjunto Cidadão XII, no bairro Nova Cidade, zona norte de Manaus . Todos eram integrantes do grupo que ficou acampando na Praça 9 de Novembro, no Centro de Manaus, em frente à antiga sede da prefeitura.

No último dia 16 de julho, a Suhab havia retirado nove famílias que tinham apresentado o Registro Administrativo de Nascimento Indígena (Rani). As demais foram deixadas no local e orientadas a providenciarem o documento que atesta a condição de índio.

Segundo Jair Miranha, 34, líder do movimento indígena, as famílias retiradas para as casas da Suhab convidaram as demais para morarem com eles enquanto era providenciado o Rani. "Nós não iríamos deixar nosso povo na praça. Voltamos lá e trouxemos eles pra morar com a gente. Essas casas eu pedi do presidente Lula quando ele tava aqui, e o governador disse que ia dar. Queremos que cumpram com a palavra deles", disse Miranha.

Ânimos exaltados e seis meses de espera

Na última visita do presidente Lula à Manaus, Jair Miranha conseguiu passar pelo cerimonial e teve o que ele chama de "presente". "Consegui falar com o presidente e pedi dele 15 casas pro meu povo e o presidente deu. Na hora, o governador estava com ele e mandou o secretário anotar meu nome pra dar as casas. Já conseguimos nove, faltam mais seis, e vamos cobrar", explicou.

De acordo com uma das moradoras beneficiadas, Adriana Alves, 45, as três famílias já levaram à Suhab o Rani que comprova a condição de índio. "Já fomos deixar nossos documentos ao senhor Sid (Sidney Robertson Oliveira de Paula, Diretor-Presidente da Suhab) e estamos aguardando. O problema é que não podemos ficar na casa dos outros, temos que viver nossas vidas", disse.

Suziane da Costa Palmeira, 26, é uma que espera pelas ultimas casas. Ela tem nove filhos e está grávida do décimo e mora na casa da indígena Luzia da Silva, 24, que ganhou uma das primeiras casas. "O pessoal trouxe a gente pra cá, e nós estamos esperando a nossa casa até sexta. Se não resolverem nada, nós vamos invadir ai (uma das casas prontas do conjunto), porque eu preciso de uma moradia pros meus filhos e os outros também precisam, porque prometeram que só iam dar a casa se nós tivéssemos o Rani, e não a declaração", disse Suziane.

Jair Miranha, no entanto, nega que tenha dado orientação para os indígenas invadirem as casas do conjunto caso a Suhab não cumpra com o prazo. "Nosso movimento é pacifico. Desconheço essa intenção de invadir as casas da Suhab. Hoje vou ter uma reunião com o grupo indígena pra evitar essa situação. Só queremos que nosso direito seja respeitado", disse.

Suhab espera liberação das casas pela construtora

A assessoria da Superintendência informou que o diretor-presidente, Sidney Robertson Oliveira de Paula esteve em reunião com a construtora na tarde de quarta-feira e foi informado que apenas a partir da próxima semana as casas da quadra onde ficam os índios estariam prontas para moradia. Todas passam por processos finais de acabamento.

Ainda segundo a assessoria, Sidney Robertson desconhecia o "prazo" dado aos indígenas de que teria até o dia 13 de agosto para liberar as casas, e que espera coerência por parte dos indígenas para lidar com essa situação.
A Suhab informou que todas as famílias já estão com a documentação completas e que agora devem esperar pelo processo administrativos para liberação das casas.

http://www.d24am.com/amazonia/povos/indios-abandonados-agora-moram-de-f…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.