Diário Catarinense-Floranópolis-SC
Autor: JEFERSON BERTOLINI
20 de Abr de 2004
Manifestação na Capital cobra demarcação
Índios Guarani, Xokleng e Kaingang entregaram ontem ao governador Luiz Henrique um manifesto, feito em computador, no qual pedem demarcação de terras no Litoral, no Vale do Itajaí e Oeste para viver melhor, com mais área para plantio e ritos.
No documento, os índios também pediram "respeito à legislação (no que se refere ao índio) e à cultura deles, atendimento diferenciado na saúde e na educação" e disseram ser contra a comissão proposta pelo governo para tratar da questão em SC.
Os índios defendem que em vez de políticos e empresários, a comissão seja formada pelos índios, porque o homem branco conhece pouco as tribos. Eles sugerem que o Conselho Indígena, formado por representantes das três tribos, seja a comissão.
O vice-presidente do conselho, José Benites, disse que os índios querem a demarcação para se considerarem proprietários legítimos das áreas em que vivem e porque precisam da ampliação para plantar.
Juntos, Guarani, Xokleng e Kaingang reivindicam a demarcação de 18 lotes. "Se todos fossem demarcados e se juntássemos a eles os já existentes, a área não atingiria 0,7% do território catarinense", informou em nota o Conselho Indigenista Missionário. Antes de entregar o manifesto ao governador, os índios marcharam sobre a Ponte Pedro Ivo Campos (Continente/Ilha) com faixas nas quais pediam a demarcação e reforçavam ser contrários à comissão.
Depoimento
"Ser índio é muito bom. Antigamente a gente não comia arroz, feijão. A gente só comia farinha de milho, de mandioca, batata doce. A gente comia o que pescava e o que caçava. A gente caçava macaco, tatu, paca, cotia; agora não tem mais caça: só uns tatuzinhos. No fim de semana, o nosso povo se reúne para reviver os nossos costumes; nós já perdemos um pouco os costumes, mas a gente quer mudar isso. A gente pinta o rosto para os dias de festa e reza para o nosso Deus"
Aílton Garcia, índio da tribo Guarani, de Palhoça
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