Jornal do Commercio- Manaus-AM
Autor: Eustáquio Libório
17 de Jul de 2003
Nesta semana o senador Mozarildo Cavalcanti (PPS/RR) propôs que a Funai (Fundação Nacional do Índio) seja dirigida por um índio em vez de ser entregue a administradores não-índios como moeda de troca em acertos políticos como usualmente é feito.
A idéia é boa, em princípio, pelo simples fato de o índio conhecer a sua realidade, suas necessidades e, a partir daí, poder sugerir e implantar políticas mais apropriadas para atender as expectativas dos povos indígenas.
Três dados podem trazer maior clareza para a forma como a Funai vem sendo administrada. Primeiro, a entidade existe há de 35 anos. Segundo: nestas três décadas e meia já teve vinte e sete presidentes. Terceiro, a média para cada administrador é de quinze meses e meio de permanência à frente do órgão indigenista.
Um outro dado importante é o fato de existir uma ONG (organização não-governamental) para cada grupo de 800/900 índios. Esta relação é mais densa de que se tem notícia.
Mesmo temas como Aids, exploração de menores e meio ambiente não conseguem angariar tantos simpatizantes para zelar por seu bem-estar dentro das fronteiras brasileiras.
Mesmo assim os povos indígenas estão situados em uma faixa da população onde a mortalidade infantil atinge 57,2 para mil nascidos vivos, embora o governo tenha por meta reduzir este índice para 28,6 por mil.
O momento talvez seja de repensar a forma como os povos indígenas estão sendo tratados no país, pois como as minorias existentes no Brasil, sofrem discriminações e seus direitos quase nunca são respeitados, então administrar a Funai pode ser a solução para os povos indígenas, embora contrarie muitos interesses.
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