Douradosagora-Dourados-MS
Autor: João Rocha
02 de Fev de 2005
Mães indígenas estão revoltadas e querem que o pediatra da Funasa volte a atender na aldeia Bororó
O índio Tibúrcio Fernandes impediu, na última segunda-feira, que o médico pediatra Zelik Trajber realizasse os atendimentos no posto de saúde da aldeia Bororó, que fica em frente a escola Araporã, prejudicando toda a comunidade indígena da região.
A ação de Tibúrcio causou revolta na população indígena, principalmente as mães que não conseguiram levar os filhos à consulta. Ontem à tarde a comunidade indígena da Bororó esteve reunida em frente o posto de saúde fazendo uma manifestação contra a atitude do índio e pedindo a volta do pediatra da Funasa.
Segundo a agente de saúde, Maria de Fátima Alves Garcia, o índio que barrou o médico não tem autoridade para tal ação. "O Tibúrcio se diz conselheiro, mas não foi escolhido pela comunidade. Por causa dele nos estamos sem atendimento médico aqui no posto. Ele impediu o doutor Zelik de atender dizendo que a comunidade que não queria mais ele no posto. Era tudo mentira, acho que tem brancos da Funasa por trás disso. Agora o nosso povo está prejudicado por causa de briga política", relata a índia.
O conselheiro de saúde indígena na aldeia Bororó, Fernando Souza, também acredita que seja alguma armação política da Funasa contra o médico. "O doutor Zelik foi um dos que nos ajudou na denúncia sobre os casos de desnutrição aqui na Reserva. Deve ser alguma represália. Gostamos do trabalho que ele desempenha aqui na comunidade e queremos ele de volta", enfatiza.
O médico clínico geral, Helder Lúcio Ganacin, que divide o atendimento com o pediatra, afirma que o atendimento no posto ficou prejudicado com a ausência do doutor Zelik. "A presença dele é fundamental para o bom andamento do posto. A bororó é uma comunidade com muitos problemas de saúde. Eu sozinho não consigo realizar todos os atendimento e muitos são da especialidade dele", ressalta o médico.
O clínico geral informa ainda que só ele realiza em média 50 atendimentos diários. "Somos em dois médicos, uma enfermeira e mais alguns agentes de saúde. Por mês realizamos mais de 2.500 atendimentos. Agora a população está sendo prejudicada porque estamos sobrecarregados e não conseguimos consultar todos e muitos acabam voltando para a casa sem atendimento", finaliza.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.