Brasil Norte-Boa Vista-RR
14 de Mai de 2004
A expressão "índio só quer apito", designada como pejorativa aos costumes tribais na atualidade, não se aplica mais aos indígenas roraimenses. Eles querem integrar o processo social, além disso, absorver hábitos e gostos dos brancos. Querem ser reconhecidos devidamente como cidadãos brasileiros.
Ontem de manhã enquanto uma comissão de altos caciques dialogava com o presidente da ALE Mecias de Jesus sobre a repulsa à vontade governamental de homologar Raposa em área única, outro grupo do baixo clero caciquista se mobilizava na rua distribuindo panfletos objetivando o apoio popular à causa.
Na pequena mas precisa mensagem, os índios avisam que tomaram o prédio da Funai porque foram forçados a agir com vigor,como grito de alerta e de protesto contra a intromissão de ONGs estrangeiras em assuntos internos. E encerram o texto assim: "vamos resistir até o fim, ninguém tomará as nossas terras, pois confiamos nas nossas autoridades. Estamos na Funai a espera do teu apoio".
Além do ineditismo que constitui essa atitude dos índios, uma vez tutelados não podem assumir manifestações pública sem orientação da Funai, isso reflete o grau da metamorfose social a que está submetido os indígenas.
Mais aguda ainda é a hipocrisia dos que querem manter os índios à margem do processo de mudança, esterilizados em suas ocas como material cirúrgico.
O líder Jonas Marcolino, que já foi vice-prefeito de Pacaraima e cursa Direito em uma universidade de Boa Vista, o Estado de Roraima representa um poder soberano, um poder público e jamais deve se calar diante das injustiças que poderão ser cometidas com a sua sociedade, com o seu povo e por isso não pode concordar com a fará que se monta na homologação da área de Raposa.
Além do esperado
A desembargadora do STJ, Selene Maria de Almeida, decidiu ontem no exame sumário e provisório do pedido de concessão de efeito suspensivo, excluir da reserva Raposa/Serra do Sol, até o julgamento final da ação, a faixa de fronteira, como determina a Constituição Federal, convocando o Conselho de Segurança nacional para opinar sobre o efetivo uso da área de fronteira com a Venezuela e Guiana.
Exclui também a área ambiental Parque do Monte Roraima e livra de demarcação os municípios, vilas e zonas de expansão, estradas estaduais e federais, garante posse dos terrenos adquiridos antes de 1934 e assegura permanência dos produtores de arroz localizados no extremo sul da reserva.
Ela foi além do que esperava o mais otimista dos roraimenses, gerando assim, pelo menos por enquanto, tranqüilidade e bem-estar na população.
A decisão joga por terra desejo da Funai, de Ongs e da Igreja que defendem uma reserva fechada, contrariando a vontade da maioria, composta de índios e de não índios.
Vitória da maioria
Logo que foi informado da decisão de Selene o senador Mozarildo fez contato com a coluna.
Acha pouco provável que o presidente Lula vá criar uma reserva sem levar em conta a opinião do Legislativo e do judiciário, representantes legítimos do povo. "Avançamos muito naquilo que quase todo mundo em Roraima quer", comemorou.
"Agora vamos esperar o prosseguimento da ação, mas é provável que o presidente se apegue ao bom senso também", observa o senador.
No Planalto
O senador Mozarildo esteve com o presidente Lula na última terça-feira.
Na audiência que durou 20 minutos, o parlamentar roraimense ouviu de Lula que a reserva de Raposa será homologada de forma a satisfazer os índios, a população roraimense e ao país.
Mozarildo indagou do presidente sobre a tendência de homologação da reserva. Ao que ouviu: "vou aguardar o resultado das ações e as indicações dos ministérios".
Pacotão
Segundo Mozarildo, junto com a homologação da terra indígena Lula vai anunciar um amplo programa do Governo Federal para promover o desenvolvimento de Roraima como um todo.
Constitui na regularização fundiária, garantia de crédito para o setor produtivo e investimentos federais em infra-estrutura e produção.
O senador roraimense não acredita que as ações que serão anunciadas juntamente com homologação da terra indígena façam parte da "compensação" ao Estado, por conta da área contínua como já comentada por altos funcionários do Governo Federal
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