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Indígenas serão protagonistas na preservação das florestas

Portal Amazônia - http://portalamazonia.globo.com/
Autor: Raíssa Gomes
07 de Dez de 2010

BRASÍLIA - Aproveitar os saberes indígenas na conservação do Meio Ambiente. Esta parece ser a premissa mais importante adotada pelo projeto "Catalisando a contribuição das terras indígenas para a conservação dos ecossistemas florestais brasileiros" ou GEF Indígena, lançado no dia 3 em Brasília. O projeto é financiado pela Funai em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e outros órgãos da sociedade civil, como a ONG TNC Brasil.

Para fortalecer as práticas indígenas de manejo e conservação dos recursos naturais é necessária a ajuda do governo federal. Por isso a criação do GEF. Lylia Galetti, coordenadora de gerência indígena do Ministério do Meio Ambiente acredita que uma das coisas mais importantes desse projeto é o empoderamento dos indígenas na conservação das florestas. "Existe um projeto de desenvolvimento para o Brasil que têm ações de impacto, e há o conflito. É necessário que o governo e os índios trabalhem juntos em iniciativas de desenvolvimento sustentável", afirma,

De acordo com Élcio Marcelo de Souza, da TNC, esse projeto é uma demanda dos povos indígenas. "São ações de proteção conservação e recuperação de áreas degradadas em uma ação integrada com o governo federal para 12 áreas de referência em todo o Brasil", explica. A verba prevista para a realização desse projeto é de aproximadamente R$ 63 milhões.

Francisco Apurinã é membro da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Segundo ele, participar das discussões do GEF é uma questão de necessidade. "Temos necessidade de acompanhar as políticas públicas. Não é apenas demarcar (a terra)". Para Francisco, o GEF Indígena pode reverter um quadro alarmante nas florestas. "No Acre temos espaços onde só existe floresta onde é terra indígena. Tudo em volta é fazenda", lamenta.

Até mesmo algumas áreas de floresta que estão em reservas indígenas precisam de recuperação. "Algumas terras foram degradadas pelo branco e passaram a fazer parte da reserva indígena após a demarcação", explica José Áureo, indigenista da Funai. Além disso é necessário estimular a geração de renda sustentável entre os indígenas, para que eles mesmos tenham condições de continuar preservando. "A consciência ecológica eles têm, mas é ainda é necessário que exista uma economia sustentável', completa Áureo.

Como exemplos de economia sustentável, o indígena Toya Manchineri entende o manejo de animais silvestres e o etnoturismo, uma prática crescente nas regiões de floresta. "Precisamos dessas práticas para sobreviver. No século XXI não podemos viver isolados", afirma.

Para Toya Manchineri o papel dos indígenas nas discussões do GEF vão além da preservação da floresta. "Nesses sete anos de debate, temos unificado esta discussão entre a política ambiental e os direitos indígenas, dizendo o que queremos", afirma.

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