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Indígenas reclamam de precariedade nas escolas

Folha de Boa Vista - http://www.folhabv.com.br/fbv/noticia.php?id=81647
09 de Mar de 2010

Reunidos na 39ª Assembleia dos Povos Indígenas de Roraima, na comunidade do Araçá, na região do Amajari, lideranças reclamaram da precariedade nas escolas indígenas. O terceiro dia da assembleia foi dedicado ao debate sobre a educação. Embora tenha havido avanços no acesso à educação superior, ensino da língua materna e formação profissional de jovens indígenas, a avaliação geral é de insatisfação com a qualidade de ensino oferecido nas comunidades.

Os indígenas se queixam que falta estrutura nas escolas, material didático, transporte escolar e compromisso de professores não indígenas. Representantes das Coordenações Regionais de Educação Indígena, da Divisão de Educação Indígena da Secretaria Estadual de Educação, expuseram os problemas enfrentados pelas comunidades.

Segundo Gerson Raposa, em 2009 vários alunos ficaram de fora do censo porque os técnicos da Secretaria de Educação não consideraram a sala de aula de professores voluntários que permaneceram ministrando aulas após terem os contratos temporários encerrados.

Ainda segundo Gerson Raposa, uma portaria baixada pela secretária Ilma Xaud impede a criação de novas modalidades de ensino em área indígena até segunda ordem. Várias comunidades cobram implantação de ensino fundamental e de educação de jovens e adultos (EJA).

Assim como em várias outras regiões, também falta professores em algumas disciplinas, principalmente de língua materna de 1ª a 4ª série.

Na vila Brasil os indígenas afirmam que os filhos chegam duas ou três horas da tarde e estudam somente três horas, porque o transporte escolar não chega no horário certo.

Os indígenas também estão exigindo a implantação do ensino médio na comunidade do Ouro, mas já receberam resposta da Secretaria de Educação de que a implantação de qualquer modalidade está suspensa.

A professora Sandra da Silva, que representa a Coordenação Regional Indígena do Amajari, reclamou da inexistência de obras de reforma e ampliação nas escolas indígenas. Ela denunciou ainda que muitos professores concursados não índios abandonaram a sala de aula, outros mudaram para outras cidades deixando as escolas indígenas sem professor. Sandra da Silva disse que o pedido para cancelamento do concurso público ainda está nas mãos do Ministério Público.

A secretária estadual de Educação, Ilma Xaud, não compareceu nem enviou representante. Uma representante da Divisão de Educação Indígena esteve presente e disse que vai levar os questionamentos para a secretaria.

YANOMAMI - O representante do povo Yamomami, Huti Valdomiro, disse que as condições das escolas na reserva são muito mais difíceis que as enfrentadas nas escolas das cidades. Além disso, reclama que falta material escolar, porque o governo alega que não tem avião para levar os alimentos para as aldeias aonde só se chega por via aérea.

Segundo Huti Valdomiro, em março de 2009 o Governo do Estado criou algumas escolas na terra yanomami, mas não tem dado o apoio mínimo a essas unidades. Na sexta-feira passada, representantes da Hutukara estiveram no Ministério Público Federal para denunciar os problemas e pedir apoio para melhorar a qualidade de educação.

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