OESP, Internacional, p.A16
09 de Jun de 2005
Indígenas ocupam sete campos de petróleo
EFE e AFP
Grupos de indígenas tomaram sete campos das petrolíferas Repsol, espanhola, e da British Petroleum, no Departamento (Estado) de Santa Cruz, como parte das mobilizações sociais que exigem a nacionalização dos recursos energéticos na Bolívia.
Os camponeses guaranis tomaram os campos Vibora, Sirari, Yapacani e Penocas da Repsol, localizados a 150 quilômetros ao norte da cidade de Santa Cruz e a 900 quilômetros de La Paz, informou Ronald Fessy, porta-voz da Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos (CBH).
A ocupação pacífica levou à suspensão das operações dos campos que, juntos, produzem entre 2.600 e 3.000 barris de petróleo por dia.
Outro grupo de indígenas guaranis ocupou os campos de Suárez, Los Cucis e Patujusal, da British Petroleum, a cerca de 120 quilômetros de Santa Cruz, a cidade mais rica do país. As operações nesses campos, que produzem entre 1.500 e 1.700 barris diários, também foram suspensas. Os grupos indígenas teriam ligações com o Movimento Ao Socialismo, de Evo Morales.
A ocupação dos campos em Santa Cruz somou-se ao fechamento de válvulas da estação de Sisa Sica, na fronteira da Bolívia com o Chile, que cortou as exportações de petróleo pelo porto chileno de Arica.
Com a suspensão das operações nesses sete campos petrolíferos de Santa Cruz subiu para 13% a parcela da produção de petróleo paralisada na Bolívia, segundo informações da Dow Jones.
A companhia Andina, da qual a Repsol possui metade das ações, controla cerca de 25% das reservas de gás da Bolívia e a empresa Maxus, do mesmo grupo, controla 9,4% das jazidas de petróleo boliviano.
Líder dos aimarás propõe guerra para resolver crise
O líder da etnia aimarás, Felipe Quispe, disse ontem que em seu país há uma luta entre os brancos e os indígenas e será melhor que ocorra uma guerra civil para que se defina quem manda na Bolívia. "As coisas estão muito sérias. Vamos ver como atuam nossos opressores, ver o que vão fazer, para então responder", disse Quispe à Radio Programas del Peru, de Lima.
"Já é hora de nós, os indígenas, tomarmos o poder político. Que esses invasores nos devolvam o território", acrescentou o líder dos aimarás, que reiterou o interesse em provocar uma guerra civil como saída para o conflito no país.
Em declarações à rede peruana Canal N, Quispe indicou que o principal remédio para a atual crise seria a nacionalização dos recursos energéticos do país. Ele advertiu que se não houver uma estatização dos hidrocarbonetos as mobilizações vão prosseguir. Quispe, ex-guerrilheiro que lidera um partido indigenista e os camponeses sindicalizados, é um dos principal promotores dos protestos no oeste da Bolívia.
OESP, 09/06/2005, p. A16
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.