Amazonas em Tempo-Mamaus-AM
13 de Jan de 2005
As lideranças indígenas que se reuniram ontem à tarde, na sede da administração da Funai, com o representante do presidente, Roberto Lustosa e com o Coordenador de Delimitação e Análise, Antônio Pereira Lima, não conseguiram a demissão do administrador Benedito Rangel e decidiram radicalizar o movimento. A ocupação do prédio da Funai por tempo indeterminado é a primeira meta.
Os índios estão querendo a exoneração do administrador regional da Funai, Benedito Rangel, para colocar no lugar o índio Baré, da região do Alto Rio Negro, Lucas Fernandes Rodrigues, que é de confiança deles. "Não queremos mais raposas velhas na administração da Funai, queremos alguém de coração, que tenha amor pelos índios", diz o índio Rosendo Apurin.
Os indígenas explicam também que irão novamente ocupar a sede da Funai, caso o acordo entre a exoneração do administrador Rangel não for feita, e usarão as 43 crianças como escudo caso a Polícia Federal tente qualquer coisa.
"Nasci para morrer, se não tirá-lo da administração, a gente não vai sair. Podem chamar a Polícia Federal."- afirma o índio.
Os indígenas, desarmados, participaram da reunião com os representantes da Funai decididos a não arredar pé de suas reivindicações. A comissão de Liderança dos Povos Mura, Macuxi, Sateré, Baniwa, Tikuna, Kambeba, Dessana, Piratapuya, Marubo, Kokma, Apurinã, Mundurukus, Tariano e Arapasso foi representada por Antônio Mota, Elizabete, Adail Matos, Auxiliadora, Francisco, Sérgio Campos, Pedro Caetano, Líliam Martim, Braulina, Edinaldo, Rosendo, Cecílio, Jecinaldo, José Mario, Benjamim de Jesus, Bonifácio José, Raimundo Cruz, Clovis Marubo, Kutena, Yakiru, Moisés e Amarildo. Todos eles afirmaram que à falta de concretização de seus pleitos vai resultar na recrudescência do movimento.
O coordenador da Funai, Antonio Lima, afirmou que a primeira reivindicação dos indígenas já está sendo atendida. "Estão previstas a regularização de 39 áreas na região de Autazes. Destas, 9 já foram demarcadas, 10 ainda estão em processo de regularização com relatórios aprovados e serão demarcadas, e há 9 áreas que ainda precisam ser estudadas. Temos o nome e a localização das áreas e terá que ser cumprido o ritual do decreto", esclarece.
Para que o decreto seja cumprido, a Funai terá que enviar uma equipe composta por antropólogos, agrônomo, engenheiro e técnicos que será responsável pela avaliação da área. Antônio explica que, sem esse ritual, não haverá área indígena. Ele explica que a demarcação ainda não aconteceu por falta de profissionais na Funai. "Vamos ter que contratar pessoal de fora dos nossos quadros".
O coordenador concorda com os índios nessa reivindicação. "Estamos planejando um projeto em Autazes de fazer um levantamento preliminar fora dessas 11 áreas, porque poderá haver outras." diz Antônio, e esclarece que não há previsão para terminar essas demarcações.
O presidente em exercício garante que em relação ao administrador Benedito Rangel de Moraes, não há o que se discutir. "Ele não sairá do cargo, porque os índios não tem como provar as acusações feitas".
Segundo Lustosa, Benedito Rangel "não vai sair. O presidente vai manter o administrador, inclusive por uma questão de justiça. Se ele exonera o administrador baseado em denúncias falsas, caluniosas, de certa forma le estará legitimando esse julgamento precipitado", explica lustosa, se referindo ao Presidente da Funai/Brasília, Mércio Pereira Gomes. Ele garante que Rangel está com todas as suas contas abertas para serem investigadas pelo Ministério Público.
Os indígenas afirm,aram onte, no fim da reunião, que irão novamente ocupar a sede da Funai. Para manter a Polícia Federal distante eles estão dispostos a usar as 43 crianças como escudo.
Do lado de fora do prédio, na Rua Maceió, estavam presente mais de 200 índios, de 17 etnias.
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