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Indígenas mantêm interdição de posto de combustível na fronteira com a Venezuela

Folha BV- http://www.folhabv.com.br
Autor: Cora Gonzalo
18 de Nov de 2014

Um grupo de indígenas venezuelanos da comunidade San Antonio del Morichal, na fronteira com o Brasil, ocuparam o posto de combustível internacional e estão impedindo seu funcionamento desde 07 de novembro. Eles reivindicam melhores condições de trabalho para os frentistas e apoio à comunidade. A medida tem afetado os moradores de Pacaraima, Norte do Estado, e turistas de Boa Vista e Manaus (AM).

O posto, que atende veículos brasileiros na fronteira, está dentro de uma área indígena, nas terras da comunidade San Antonio del Morichal, habitada pela etnia Pemon-Taurepang. Eles estão dormindo no local e impedindo a venda de combustível.

Enquanto isso, esperam a presença dos executivos de Petróleos da Venezuela (PDVSA) para chegar a um acordo. O administrador do posto disse que não tem autorização para falar à imprensa sobre o fato. O tuxaua da comunidade, Renny Lot, explicou que a empresa deveria fazer doações à comunidade, como pagamento pelo terreno, mas o acordo nunca foi cumprido.

Todos os funcionários do posto são indígenas, graças a outro acordo feito pela comunidade e a administração. Um dos motivos da interdição seria a falta de pagamento de plano de saúde a esses trabalhadores, conforme afirmou o tuxaua. "Os frentistas estão adoecendo devido à inalação do combustível e não têm onde se tratar, não temos nenhum tipo de atendimento em saúde. Tem um internado há cinco dias com intoxicação", disse.

De acordo com Renny Lot, a data limite para chegar a um acordo é dia 29 deste mês, quando foi marcada uma reunião com os representantes da PDVSA. Enquanto isso, moradores de Pacaraima já tiveram que parar seus carros e os taxistas que fazem a rota intermunicipal para Boa Vista estão pensando em aumentar o preço da passagem, pois passaram a abastecer em Boa Vista.

Segundo o taxista Vicente Ribeiro, da Cooperativa de Transporte Alternativo de Pacaraima, a situação está crítica no município, pois 50 % da frota já pararam de trabalhar por falta de combustível e vão esperar esta semana. Se não for resolvido o problema, irão conversar com o prefeito e vereadores para pedir um aumento do valor da tarifa, pois estão sendo obrigados a completar o tanque em Boa Vista.

"Alguns taxistas ainda estão trabalhando porque tinham estoque de combustível em casa, pois de vez em quando falta no posto. Estamos completando o tanque em Boa Vista e, nesta semana, não terá mais jeito, teremos que trabalhar com gasolina de lá. Assim será impossível manter o preço de R$30,00 que cobramos atualmente", salientou.

Questionados se estariam abastecendo em Santa Elena, os cooperados falaram que preferem não se arriscar, já que é ilegal e, se forem pegos lá dentro abastecendo desta forma, podem ser presos.

TRANSTORNOS

Alguns turistas que passam pela fronteira com destino às praias venezuelanas também foram pegos de surpresa ao chegar e não ter onde abastecer. Todos dizem que têm medo de procurar combustível de forma ilegal em Santa Elena, e o posto mais perto da cidade onde os brasileiros podem abastecer livremente fica a aproximadamente 160 quilômetros.

Neste final de semana, vários brasileiros que não sabiam da situação do posto procuravam combustível em Pacaraima para poder voltar a Boa Vista. Os moradores de Pacaraima também têm sofrido transtornos, rodando o mínimo possível para render o combustível e muitas vezes tendo que comprar ilegalmente para ir a Boa Vista. Alguns dizem que têm venezuelanos conhecidos que fornecem gasolina, mas outros afirmam que não gostam nem de ir a Santa Elena, pois sentem medo.

MANIFESTAÇÕES

Além do posto, os indígenas estão ameaçando bloquear a estrada que dá acesso a outras cidades da Venezuela, ou seja, a saída de Santa Elena. Sendo assim, nenhum veículo poderá entrar ou sair da cidade, dificultando o transporte de mercadorias para o comércio local e impedindo a entrada de caminhões pipa que abastecem os postos venezuelanos.
O aeroporto de Santa Elena está interditado por indígenas de outra comunidade há 15 dias, também por estar em reserva indígena e pelo governo não ter cumprido acordos estabelecidos no passado.

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