A Crítica (AM) - http://acritica.uol.com.br/
Autor: Elaíze Farias
15 de Dez de 2010
Aproximadamente 50 indígenas, a maioria pajés e curandeiros, ocupam desde a última segunda-feira (13), a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), no município de Atalaia do Norte - localizado a 1.138 quilômetros de Manaus -, em protesto contra a nomeação de Verônica Almeida para administrar o órgão.
Os indígenas também pedem a presença de Antônio Alves, titular da recém-criada Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), para discutir sobre as políticas que serão implementadas na região do Vale do Javari a partir de 2011.
A ocupação da sede do Dsei já vinha sendo antecipada há duas semanas, desde quando Verônica assumiu o cargo. A medida causou revolta dos indígenas, sobretudo nos da etnia maioruna, que não aceitam sob a alegação de que Verônica, que é enfermeira e servidora da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) reintegrada à Sesai, "tem um histórico ruim na atenção à saúde indígena".
Sem Resposta
Segundo Jorge Duarte, presidente do Conselho Distrital Indígena do Vale do Javari, Antônio Alves também não vinha respondendo aos documentos enviados por e-mail pelos indígenas. Clóvis Rufino, da etnia marubo, contou, também por telefone, assim como Duarte, que os indígenas só sairão da sede do Dsei com a presença do secretário Antônio Alves ou de um representante da Sesai que realmente tenha poder de decisão em Atalaia do Norte.
Em carta enviada pelo titular da Sesai Antônio Alves, em resposta ao comunicado oficial sobre a ocupação elaborado por Jorge Duarte, à qual A CRÍTICA teve acesso, o secretário informa que Jorge Duarte, embora tenha sido convidado pelo órgão, não viajou a Brasília esta semana para participar de uma reunião dos presidentes dos Conselhos Distritais Indígenas (Condisis).
Segundo Alves, a decisão de Duarte iria "prejudicar ainda mais o atendimento à saúde dos povos indígenas do Vale do Javari e poderá prejudicar crianças, jovens, mulheres, idosos e homens que ficarão sem assistência".
Questionado pela reportagem sobre sua decisão de não viajar no último dia 12 (domingo), Jorge Duarte disse que só recebeu o comunicado que teria direito à passagem dois dias antes. Sua ausência em Brasília, contudo, segundo ele, foi uma decisão das lideranças indígenas, que não deram autorização.
"Fui informado sobre essa reunião no dia 10. Não enviaram pauta, não deu tempo de discutir com ninguém. Além do mais, as lideranças indígenas não me deixaram viajar. Não iria brigar com elas. O Antônio Alves quer me colocar como protagonista do problema, como se eu fosse o culpado de alguma coisa ruim acontecer. Estou apenas fazendo o que as lideranças decidiram", disse.
Sesai quer 'providências cabíveis'
A assessoria de imprensa da Sesai, em Brasília, foi contatada pela reportagem para se pronunciar sobre a ocupação do Dsei/Vale do Javari e seus desdobramentos, e disse que só poderia enviar alguma resposta nesta quarta-feira (15).
No entanto, na carta enviada a Jorge Duarte, Antônio Alves, titular da Sesai, afirma que "nunca se furtou ao diálogo", mas que, nesta fase, não está podendo se ausentar de Brasília porque está se dedicando à organização da transferência das ações da Funasa para a Sesai.
O titular da Sesai informa, ainda, que encaminhou a carta de Jorge Marubo à Consultoria Jurídica do Ministério da Saúde para que esta adote "as medidas cabíveis para evitar a interrupção das atividades prestadas à comunidade já que se trata da ocupação de um estabelecimento público e de um patrimônio da União Federal cuja missão é fazer a gestão das ações de saúde indígena".
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