A Critica, Ultimas, p.A8
16 de Jan de 2005
Indígenas ganharão reforço
Lideranças prometem reunir 1,5 mil índios em uma grande manifestação ainda esta semana
As lideranças indígenas que há 13 dias ocupam a sede da Fundação Nacional do índio (Funai), no bairro de Adrianópolis, zona Centro-Sul, prometem promover uma grande manifestação esta semana, durante a realização do 4o Fórum Social Pan-Amazonico, que acontece de 18 a 22 de janeiro, em Manaus. De acordo com o tuxaua Antônio Mota, que junto com outros 150 indígenas permanecem na sede da Funai, aproximadamente 1,5 mil índios são esperados no evento. Eles reivindicam o afastamento do atual administrador regional da Funai, Benedito Rangel.
Negociações
Na semana passada, as lideranças indígenas conseguiram reunir mais de 200 índios na sede da entidade, quando o vice-presidente da Funai, Roberto Lustosa, reiniciou as negociações. 0 tuxaua Antônio Mota, da aldeia Tauari, localizada no Município de Autazes, explica que os índios não "arredam o pé" do local enquanto Rangel não for afastado, medida negada por Rangel. Mata .afirma que as lideranças aguardam agora a intervenção direta do presidente da Funai, Mercio Gomes. Enquanto aguardam um posicionamento da entidade, os índios que ocupam a sede da Funai promovem seus rituais, como a "Dança da Cutia", com a utilização de instrumentos como o combo e pau de cheiro.
Memória
Na última sexta-feira, dia 14, fracassou nova tentativa de acordo entre as partes. Lideranças indígenas e representantes da Funai participaram de reunião na sede da Procuradoria do Ministério Público Federal (MPF), coordenada pela procuradora Isabela Brant. O caso foi repassado para análise do Ministério da justiça, em Brasília.
Afastamento de diretor é esperado
A ocupação da sede da Funai teve início no últimos dia 3, quando cerca de 30 indígenas do Município de Autazes (a 118 quilômetros de Manaus) ocuparam a entidade, reivindicando, entre outras coisas, o afastamento do seu administrador regional. "Nossa revolta é que ele (Benedito Lustosa) não procura atender as nossas necessidades. Só estamos procurando os nossos direitos", afirmou Nandia Myryrra, 44, da etnia Sateré-Maue. Junto com a filha, o genro e duas netas, ela participa desde o início da ocupação da entidade. 0 genro de Nadia, Andre Awioto, 22, afirma que apesar das filhas de um e três anos já terem adoecido durante este período, ele não pretende deixar o local. "Ele (Lustosa) não ajuda nossas reservas, que acho que só conhece por meio dos mapas", acusa Awioto. Representantes de 17 etnias ocupam a sede da entidade, em Adrianópolis, entre elas, Mura, Kokama, Dessana, Apurinã, Baniwa, Tariano, Piratapuia, Tikuna, Tukano, Marubo, Sateré e Macuxi.
A Crítica, 16/01/2005, p. A8
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