Jornal do Commercio-Manaus-AM
23 de Fev de 2005
O artesanato indígena regional mais uma vez está em exposição no Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), desta vez com objetos produzidos por índias de diferentes tribos localizadas na região do Alto Rio Negro.
Trata-se da exposição de artesanato da Amarn (Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro), que teve início no dia 21 e se estenderá até o dia 4 de março, no Empório Cultural do instituto, localizado avenida André Araújo, no 2.936, bairro Aleixo. A abertura do evento aconteceu pela manhã.
Criação de fundos
A exposição tem como objetivo angariar recursos para a Amarn e criar uma base econômica para a entidade, que não dispõe de recursos próprios para compra de matéria-prima para a confecção do artesanato.
Uma das saídas encontradas pela associação foi buscar parcerias com instituições para viabilizar um espaço para expor e vender os artesanatos produzidos pelas mulheres. Isso porque a entidade só dispõe de dois lugares para a venda dos objetos, um box na Central de Artesanato Branco e Silva e o outro em sua sede, localizada no Conjunto Petros.
Outra saída encontrada pela associação foi a parceria firmada com a Assai (Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel) e a Associação das Mulheres Indígenas do Distrito de Iauareté, o que possibilitou a manutenção direta do trabalho de 15 mulheres, apesar de possuir 46 associadas.
Ajuda de custo
As integrantes da comunidade indígena recebem aproximadamente R$ 100 por mês. Mas a baixa produção e o elevado custo com transporte e alimentação impossibilita o aumento do rendimento das mulheres.
Os indígenas do Estado do Amazonas sofrem freqüentemente com os problemas da economia de subsistência e essa é uma das iniciativas que buscam minimizar a questão.
Instituto incentiva associação de mulheres
De acordo com o coordenador de extensão do Inpa, doutor Jackson Rego, o objetivo de trazer essa exposição ao instituto é não apenas buscar, mas valorizar o diálogo com as comunidades indígenas, respeitando a sua cultura e entendendo essa forma de produção, que está diretamente relacionada com a natureza.
O coordenador afirmou que "o fundamental é entender que, para uma região como o Amazonas, ainda há essa cultura viva, que pode ser o grande diferencial quando se fala de transformações em nível global, porque a cultura indígena está além de muitos processos tecnológicos que a ciência vem produzindo", afirmou.
Exposição de adereços
Estão expostas no Empório Cultural as cestarias: urutu, balaio, cesto de cipó, atura, peneira, jarro de arumã, entre outros, todas confeccionadas pela Amarn.
A Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro iniciou suas atividades em 1984 e se constituiu na primeira organização indígena de mulheres no espaço urbano do Brasil.
Ela foi registrada em cartório em 1987. Durante os 19 anos de atuação a entidade sempre procurou conciliar a atividade política proposta e encaminhada pelo movimento indígena com os seus objetivos. Afinal, trata-se de uma única luta.
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