Terra.com-São Paulo-SP
09 de Dez de 2004
Representantes indígenas da Argentina, Estados Unidos e Peru que assistem à Cúpula Climática - COP 10 de Buenos Aires (Argentina) exigiram nesta quarta-feira da ONU - Organização das Nações Unidas sua participação nas negociações sobre o clima, das quais se sentem excluídos. "O Protocolo de Kyoto está deficiente, não tem um ponto de apoio, o dos povos nativos, que têm muito a dizer sobre a mudança climática", disse Juan Ortiz Burgos, presidente da Associação Proteger, uma entidade ambientalista e cultural que apóia a reivindicação indígena.
"Estamos fartos de um grupo de ilustres iluminados que, em nome do saber e do poder, decidem nosso futuro. Devemos aprender a trabalhar na diversidade das visões de mundo, que nos enriquecem", propôs.
A queixa foi apresentada pelos dirigentes mapuches, tobas, charruas e tupi-guaranis, que juntos ocupam um posto na exposição paralela à COP 10 que acontece na capital argentina, onde houve reuniões com um representante dos dakotas americanos e da Coica - Confederação Indígena da Bacia Amazônica do Peru, para realizar uma apresentação conjunta.
"Não exigir a participação seria como dizer que não nos interessa e a realidade é que nós, povos nativos, sempre estivemos preocupados em conservar a natureza, porque sempre vivemos em união e harmonia com ela", disse Ignacio Prafil, werken (porta-voz) dos mapuches de Anecón Grande, Rio Negro.
"Os temas de Kyoto estão bem encaminhados por alguns países, mas falta ali algo profundo, a filosofia e o espírito, e não sabemos o que vem depois de 2012", afirmou. "Os povos indígenas querem que se mantenha não apenas os ecossistemas e a biodiversidade, mas também toda a vida espiritual que repousa no território, a filosofia, a cultura e a língua dos povos que o ocupam", acrescentou.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.