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Autor: Flávio Verão
05 de Ago de 2009
Funcionários das unidades de saúde dos postos dizem que o atraso chega a quase um ano
O maior problema está nos postos assistidos pela Funasa
Indígenas de Dourados estão sem medicamentos há quase um ano. Funcionários dos postos de saúde dizem que o problema se estende desde outubro passado, mas agravou no decorrer de 2009.
O problema é mais crítico nos Postos de Saúde da Família (PSF's), onde cartazes pregados na parede avisam que faltam de remédios. A reportagem percorreu algumas unidades na tarde de ontem e encontrou avisos informando que "medicamentos devem ser adquiridos no PAM".
Funcionários dos postos disseram que a situação é crítica e a maioria dos pacientes voltam para a casa com a receita na mão. Eles preferiram não dizer o nome, mas relataram que medicamentos básicos como anti-inflamatório, analgésico e diurético estão em falta desde Janeiro. Os PSF's recebem remédios da Funasa, entidade que presta assistência à saúde indígena.
Na tentativa de ajudar pacientes, funcionários levam a receita médica até o PAM e fazem uma espécie de "troca" com Prefeitura. Um dos funcionários disse que depois de a Funasa licitar os medicamentos, tudo o que foi repassado pela Prefeitura é devolvido. Nem sempre se consegue sucesso na troca. A falta de remédios também atinge os postos da cidade de Dourados.
Rosimeire da Silva procurou na tarde de ontem um dos PSF's para fazer curativo na mão do filho que sofreu queimaduras. Não deu certo. O posto não tinha faixas, compressas de gases e demais remédios para o curativos. A indígena tinha ainda em mãos a receita médica do filho. O médico prescreveu dipirona e uma pomada. Nenhum deles havia no posto.
Ela ainda diz que outro problema constatado na aldeia é a falta de transporte dos doentes, que está a cargo da Funasa. "Desde quinta-feira passada o carro que pegava meu pai em casa para levá-lo até o hospital da Missão Caiuá para fazer curativo não apareceu mais". Ela conta que o pai fez cirurgia na perna e diariamente precisa de atendimento médico.
Assim como o dipirona, a reportagem constatou que também faltam outros remédios básicos como o benzetacil, paracetamol e amoxilina. As aldeias indígenas de Dourados contam com cinco PSF's e quatro postos de saúde, sendo que dois são mantidos pela Prefeitura e dois pela Funasa. A informação foi repassada por um funcionário indígena que pediu para não revelar o nome. A falta de remédio é geral, embora nos postos da Prefeitura é possível encontrar dipirona.
FUNASA
Nota divulgada por e-mail ao O PROGRESSO , pela assessoria da Funasa, diz que uma licitação foi feita em 23 de julho, para cotação e compra de 123 medicamentos aos indígenas de todo o Estado. O processo, em empenho, leva de 15 a 30 dias, segundo a nota, para chegar até os postos. O coordenador da Funasa em Dourados, Donizete Araújo, disse que somente a assessoria poderia se pronunciar sobre o assunto.
O secretário de saúde de Dourados, Mário Eduardo Rocha Silva não foi encontrado para falar sobre a falta de medicamentos.
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