Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: LUIZ VALÉRIO
20 de Abr de 2005
Promover um dia de interculturalidade entre indígenas das etnias yanomami, xiriana, macuxi, wapixana, ingaricó, taurepang, wai-wai, sanomã e maingong que estão internados na Casa do Índio. Esse foi o objetivo da programação realizada ontem em comemoração ao dia 19 de abril, quando indígenas de todas as idades e regiões do Estado de Roraima se juntaram para dançar, brincar e celebrar suas culturas ancestrais.
Regada a muito caxiri (bebida indígena), a festa foi iniciada no período da manhã e entrou pela noite. Uma exposição de artesanatos foi providenciada para mostrar a arte indígena dos vários povos que se confraternizavam. Comidas e bebidas típicas foram providenciadas com antecedência para regar a festa do Dia do Índio, que este ano teve um motivo a mais para ser celebrado: a homologação da terra indígena Raposa/Serra do Sol.
Responsável pela administração da Casa do Índio, irmã Auristela Stinghen, disse que a festa foi "um bonito momento de confraternização" entre as diversas etnias. "Há dois anos era impensável vermos índios de etnias diferentes comemorando juntos", observou. Ela disse que uma das suas preocupações enquanto administradora da Casa é buscar cada vez mais buscar essa integração. "Comemorar o Dia do Índio é uma oportunidade de intercâmbio, de fazer um resgate histórico", frisou.
Esse ano a festa foi programada com bastante antecedência. Foi elaborado um projeto voltado para a promoção da interculturalidade, que contou com o apoio da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), mantenedora daquela unidade de saúde indígena. Cerca de 200 internos e acompanhantes participaram dos festejos no dia de ontem.
ALIANÇA - "Dia do Índio é todo dia, mas a gente respeita as regras feitas pelos brancos e comemora o nosso dia nesse 19 de abril". A observação foi feita pelo índio Severino de Oliveira Brasil, coordenador do Centro Pedra Preta, comunidade indígena localizado na região das Serras. Ele disse que aquele momento era de convivência fraterna entre os diversos povos indígenas ali representados.
"Essa festa é um momento de grande felicidade, para nós índios. Os 'brancos' dizem que são mais de 30 anos de luta, morte e destruição do meio ambiente que estamos assistindo. Mas é muito mais. Estamos felizes que a homologação da Raposa/Serra do Sol tenha ocorrido. Aliás, devia ter sido homologada já há muito tempo", comentou Severino Oliveira.
Quanto ao congraçamento dos vários povos indígenas, ele disse que aquele acontecimento era uma aliança entre as diversas etnias para uma convivência pacífica. Registrou que as diferenças de cultura e língua não são obstáculos para um entendimento entre os vários povos.
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