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Indígenas denunciam sucateamento de escola em Porto Real do Colégio

G1 - http://www.g1.globo.com
23 de out de 2014

Índios da aldeia Kariri-Xocó, que fica no município de Porto Real do Colégio, região do Baixo São Francisco de Alagoas denunciam que a escola que atende crianças e adultos está em más condições para atender os estudantes. Segundo o grupo indígena, a comunidade possui 750 famílias e 214 pessoas fazem uso da Escola Estadual Indígena Pajé Francisco Queiroz Saíra, que fica em uma casa sem muros onde há acúmulo de lixo e mato ao redor.

Na parte interna da unidade de educação o piso está rachado, as janelas quebradas e as estruturas de ferro deterioradas. Faltam telhas e a pintura desgastou. A fiação exposta já provocou curto-circuito e as chamas atingiram o forro de PVC de uma das salas. Os poucos ventiladores que restam não funcionam, e as aulas acontecem no calor.

O material escolar não é padronizado porque, segundo os professores, a quantidade que chega é insuficiente. "O material que chega é pouco. Assim, os pais que têm condições compram. Os que não, fazem uso do material enviado pela Secretaria de Educação. E às vezes, os professores se juntam para comprar algumas coisas", diz a professora Claudete Suíra.

As portas das salas estão emperradas e o banheiro dos professores virou depósito de cadeiras quebradas. "A escola nunca foi reformada e a única coisa que fizeram foi uma pintura há quatro anos. No mais, a secretária não faz nada", expõe o coordenador escolar Alcivânio Correia dos Santos. A evasão escolar também é outro problema grave na escola. Há quase dois meses, mais da metade dos alunos não vêm às aulas. Uma das turmas, por exemplo, possui 19 alunos. Hoje, apenas 9 foram para a escola.

Um dos motivos disso está na cozinha. Segundo a coordenação da escola, faz 2 meses que as prateleiras da despensa servem apenas para guardar panelas porque a merenda não chega. A geladeira está quebrada e o fogão, cheio de ferrugem. Também falta água nas torneiras. Para matar a sede, só buscando na torneira da rua uma água de cor amarelada. "Já que não tenho como cozinhar porque falta comida, venho todo dia para a escola ajudar na limpeza e na organização", conta a merendeira Rita de Cássia Suíra.

Por causa da falta de merenda, os poucos alunos que ainda frequentam as aulas são liberados todos os dias uma hora mais cedo. "Eu gostava do arroz doce, munguzá e da macarronada", fala o estudante Acássio dos Santos.

A escola também tem outro prédio na aldeia, onde estudavam mais 206 alunos. O local foi interditado e hoje restam ruínas. Os estudantes precisaram se matricular em escolas na cidade. Mas para o pajé, o ensino fora da aldeia foge à cultura indígena.

SEE
A assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Educação (SEE) disse que quanto à estrutura da escola, já foi aberto um processo para a reforma da unidade. E na próxima semana uma equipe da engenharia do Estado vai até o local para verificar o que é mais urgente.

Sobre os kits escolares, a SEE expôs que o material foi entregue em setembro, e se houve insuficiência, os gestores responsáveis pela distribuição não foram informados do problema. Quanto a merenda escolar, foi informado que os alimentos acabaram em 10 de setembro, e para a compra de novo material é necessário a aprovação do Conselho Escolar, procedimento que só ocorreu hoje.

http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2014/10/indigenas-denunciam-suca…

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