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Indígenas denunciam invasão de territórios por madeireiros

Diário de Pernambuco - http://www.diariodepernambuco.com.br/
Autor: Augusto Nascimento
25 de jan de 2013

O deputado federal Domingos Dutra (PT-MA), que preside a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, reuniu-se na manhã desta quinta-feira (25) com lideranças indígenas do estado, para discutir os problemas enfrentados pelas comunidades de índios maranhenses, como as condições de saúde e educação, além da invasão dos territórios por madeireiros e ameaças de morte de lideranças.

O Imparcial/Diario acompanhou o encontro, ocorrido na sede do Sindicato dos Bancários, no Centro, e que contou ainda com a participação de representantes da Sociedade Maranhense em Defesa dos Direitos Humanos e do Conselho Missionário Indigenista Maranhense (Cimi).

De acordo com a coordenadora do Cimi, Rosimeire Diniz Santos, o encontro teve a participação de quatro povos, os quais apresentaram ao parlamentar as demandas e necessidades de cada comunidade. A coordenadora fez referência ao processo recente enfrentado pelo povo Gavião, o qual há cerca de duas semanas viria sofrendo constantes ameaças depois de uma ação defensiva do grupo em relação aos exploradores de madeira, com a apreensão caminhões e um trator esteira que operavam dentro da aldeia, com o fim de entregar o material à justiça.

No entanto, Rosimeire Santos destacou que a invasão dos territórios é o maior problema com que deparam todos os povos indígenas do Maranhão, estado que reuniria cinco das 20 terras mais invadidas do país, com os principais registros de conflitos.

Sobre a exploração ilegal da madeira, Rosimeire Santos avaliou que as operações de combate acabam não surtindo efeito, pois as empresas de medeireiros sempre retornam às áreas demarcadas para continuar as atividades irregulares.

"O comércio ilegal de madeira está muito bem estruturado dentro do estado", disse a coordenadora do Cimi, ressaltando que a capacidade de organização e articulação dá aos envolvidos a segurança da impunidade, ainda mais por contarem com a colaboração de alguns índios, disseminando a ideia errônea de que a responsabilidade da exploração seria dos próprios povos indígenas.

Rosimeire Santos chamou a atenção para os efeitos da exploração, como o esgotamento das fontes de alimentos e dos recursos hídricos nas reservas, além do desequilíbrio do processo de organização interna das aldeias. "Como consequência de longo prazo, todos nós vamos ser afetados, porque estamos falando de uma questão ambiental que está gritante", disse a coordenadora do Cimi, observando que mesmo os recursos naturais já escassos precisam de políticas de proteção pelo poder público.

Diante do inconformismo de verem o patrimônio natural ser depredado, Rosimeire Santos informou que os povos indígenas viriam tomando diversas medidas, como denúncias ou o encaminhamento de ofícios e requerimentos aos órgãos que lidam com a questão indígena.

Durante o encontro de ontem, Anísio Pereira Guajajaras, do município de Bom Jardim, relatou que seu povo não enfrenta o problema da exploração ilegal da madeira, mas tem de conviver com os pescadores e fazendeiros que se instalaram na reserva. "Os invasores não dão trégua, e querem se instalar de qualquer modo", disse Anísio Guajajaras, informando que a exploração dos recursos hídricos e a criação extensiva do gado reduziram para 15 mil hectares a área ocupada pelos indígenas da região, de uma extensão territorial que abrangia 60 mil hectares antes da chegada dos exploradores. Ele informou que já foram encaminhados documentos aos órgãos competentes, mas que nenhuma medida efetiva teria sido tomada para a proteção dos índios. Em consequência dos conflitos, Anísio Guajajaras esclareceu que as lideranças indígenas viriam sendo ameaçadas.

No fim do encontro, o deputado federal Domingos Dutra disse à reportagem que os encaminhamentos da discussão se dariam de acordo com a situação de cada povo, devendo ser agendadas reuniões com os ministros da justiça e do meio ambiente, para solicitar dessas autoridades executivas providências imediatas em relação à questão indígena.

Além disso, o parlamentar considerou a necessidade de se acionarem forças de segurança, como a Força Nacional e a Polícia Civil maranhense, a fim de garantirem a segurança dos povos ameaçados pelos grupos invasores.

Domingos Dutra também afirmou que novas discussões devem ser realizadas, com o objetivo de elaboração, por representantes dos próprios indígenas, de uma proposta de segurança e preservação das reservas, segundo as experiências dos povos.

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/brasil/2013/01/25/inte…

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