Brasil Norte-Boa Vista-RR
06 de Jul de 2004
A decisão do Supremo Tribunal Federal, STF, pode estar em vias de ser desrespeitada em Roraima. A área da Raposa Serra do Sol conhecida pelos conflitos que se arrastam há anos, mais uma vez é palco de discórdia e que pode acabar em tragédias. Ontem, lideranças ligadas à agricultura e a pecuária de Roraima se reuniram na sede da FAER para pedir uma posição das autoridades.
Por um lado índios ligados ao Conselho Indígena de Roraima, CIR, que querem a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol em área contínua se dizem despeitados. Por outro lado os índios ligados a Sociedade dos índios Unidos do Norte de Roraima, Sodiur, que são a favor da demarcação em ilhas, afirmam optar pela convivência pacífica e querem o desenvolvimento da região. Para eles é necessário que para o desenvolvimento da região os municípios, as áreas de agricultura, principalmente de plantação de arroz sejam mantidas.
Nessa pendenga o Supremo Tribunal Federal foi pacífico e assegurou que os municípios, estradas, redes de transmissão de energias e fazendas de arroz. Recentemente outro conflito foi registrado na região com pessoas ligadas a ambos os lados sendo constrangidas em seus direitos constitucionais de ir vir.
Na tarde de ontem várias lideranças se reuniram na sede da Federação da Agricultura de Roraima, Faer, para discutir a problemática. Se encontravam na reunião representantes da FAER, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - Senar, da Delegacia Federal de Agricultura de Roraima - DFA, da Associação dos Criadores de Gado de Roraima, Acriger, da Cooperativa de Carne, Coopercarne, da Central dos Assentados e lideranças indígenas,
De acordo com o presidente da Faer, Sílvio Silvestre de Carvalho, a instituição e as lideranças estão preocupados com a integridade física dos proprietários rurais instalados na terra indígena Raposa Serra do Sol, bem como com os conflitos entre índios e índios e índios e produtores.
Por este motivo, conclama a todas autoridades constituídas de Roraima a se articularem de forma rápida e eficiente a fim de evitar tragédia maior. "Amparados no princípio da legalidade, defendemos o cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal que reconheceu como legítimo o direito destes produtores rurais de permanecerem em suas terras, desenvolvendo suas atividades, gerando empregos e riquezas para Roraima", explica.
Ele argüiu que a tentativa insensata de promover novos conflitos entre índios e produtores rurais com o único objetivo de chamar a atenção do Governo Federal e da imprensa nacional para uma demarcação que contraria os interesses e direitos da maioria da sociedade roraimense, cujos mentores são amplamente conhecidos, merece o repúdio de todos aqueles que querem ver a região pacificada.
"Atos de violência, entre eles a restrição à produtores rurais, índios e também funcionários da Funai, representam uma alternativa covarde daqueles que não conseguiram, através da Justiça, fazer prevalecer seus argumentos. Roraima não pode mais aceitar este tipo de comportamento", assegurou.
Quartiero
Em recentemente foi noticiado que o fazendeiro Paulo César Quartiero teria sido seqüestrado por indígenas na região. Ele estava presente à reunião e explicou não ter sido seqüestrado, mas que sua fazenda foi cercada e que os índios estavam armados com flechas e paus. Ele disse que lhe foi dito que poderia deixar a fazenda, mas que não poderia retornar. "Eu estava impedido de retornar a minha fazenda. Isso é um absurdo. Eles estão desrespeitando uma decisão do STF", disse.
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