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Indígenas de MS vão ao Senado e pedem mais terra

Agência Senado-Brasília-DF
Autor: J. Freitas
18 de Mar de 2005

AUDIÊNCIA NO SENADO - O argumento dos líderes é que, se a extensão de suas aldeias for maior, terão condições de plantar e evitar casos de desnutrição

Índios foram ouvidos pelo senador Juvêncio César da Fonseca

As lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul exigiram mais terra durante a audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal, que discutiu a morte de crianças índias na manhã de ontem, em Brasília. O argumento dos líderes é que, se a extensão de suas aldeias for maior, terão condições de plantar, evitando os casos de deficiência nutricional. O senador Juvêncio da Fonseca, presidente da Comissão, apresentou denúncia na qual afirma que o PT (Partido dos Trabalhadores) e antropólogos estariam envolvidos em esquema para confirmar a posse de terra pelos indígenas.

"Não adianta projeto estruturante, se não tiver espaço físico", disse Hilário Silva, índio Kadiwéu, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena de MS (Condisi), criticando a falta de integração das ações do Governo nas aldeias do Estado. "Vai ter um resultado positivo se Funai e Funasa andarem juntas", disse Silva. Esta falta de entrosamento também ocorre em Mato Grosso. O representante dos Xavante, Jeremias Tsibodowapré, da aldeia Bom Jesus da Lapa, localizada em Campinápolis (MT), disse que desde 1999, quando a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) assumiu o trabalho de cuidar da saúde dos indígenas, o problema vem se agravando. "Desde 2002 morreram 150 crianças por desnutrição", enfatizando que em sua região há divergências entre a Funai e a Funasa. "Esse número foi obtido em levantamento paralelo da Funai", disse o Xavante. A Funasa divulgou que, entre janeiro e fevereiro deste ano, teriam morrido cinco crianças, não fazendo referência às mortes anteriores. Os óbitos ocorreram em uma etnia que tem 1,5 milhão de hectares, em sete reservas com 15 mil habitantes.

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