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Indígenas avançam na política, mas não na economia, diz estudo

Folha de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: LUCIANA COELHO
23 de Mai de 2005

A influência política e o progresso econômico e social das populações indígenas latino-americanas andaram em direções distintas na última década. Enquanto a primeira cresceu consideravelmente, o segundo manteve um ritmo muito aquém do assumido por outros setores da sociedade, mostrou um relatório divulgado nesta semana pelo Banco Mundial. O documento compila os principais resultados de um estudo sobre a pobreza e o desenvolvimento humano entre os povos indígenas da região no período de 1994 a 2004, que será divulgado de forma completa em novembro. Foram analisados os países onde a presença de indígena é mais expressiva: Bolívia, Equador, Guatemala, México e Peru. Grosso modo, eles representam 10% da população total da região. No aspecto político, a avaliação é positiva: "Na América Latina, talvez mais do que em outras regiões, a década foi marcada por uma vasta gama de movimentos indígenas exercendo cada vez mais poder político, da rebelião em 1994 em Chiapas [México] à derrubada dos governos no Equador e na Bolívia", afirma o texto. Mas em termos econômicos, o diagnóstico é sombrio. Entre as conclusões citadas no relatório, está o fato de o abismo de pobreza entre os indígenas ser o mais profundo -ou seja, a renda média dos indígenas pobres está muito mais abaixo da linha de pobreza do que a dos pobres de outros grupos. Em momentos de crise, eles tendem a ter sua situação agravada com maior rapidez, e, na hora da recuperação, demoram mais a serem beneficiados. Além disso, de acordo com o relatório, ser indígena aumenta as chances de ser pobre. "Nesse aspecto, pouca coisa mudou durante a década estudada. Ao lado de fatores como idade, educação, emprego e região onde se vive, ser indígena ainda aumenta a chance de ser pobre entre 13% (na Bolívia) e 30% (no México)." Uma das razões apontadas para isso é o fato de os ganhos no trabalho, para cada ano de escolaridade, serem menores para os indígenas. Na Bolívia, por exemplo, enquanto um indígena aumenta em média sua renda em 6% para cada ano passado na escola, um não-indígena aumenta em 9%. (O Peru é o único país onde a situação se inverte: o ganho para os indígenas é de 13%, contra 12% dos não-indígenas.) Os indígenas também são mais suscetíveis a problemas na qualidade de ensino, o que alimenta um círculo vicioso. Outro elemento a solapar a educação dessas populações é o trabalho infantil, cuja incidência é comparativamente maior do que em outros grupos. Também foi constatado que o acesso a serviços básicos de saúde é mais restrito aos indígenas -sobretudo às mulheres e crianças. Em três deles (Bolívia, Guatemala e México), o estudo trata como "significativa" a exclusão dos indígenas. Isso se torna especialmente problemático porque mais da metade da população total não possui cobertura particular. Finalmente, o estudo propõe uma "agenda de ação" focada na educação, na equalização das oportunidades, no monitoramento dos serviços sociais e na coleta de dados para identificar melhor os problemas e necessidades dessas populações.

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