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Indígenas acampam na Funai de Cuiabá

Diário de Cuiabá
Autor: Joanice de Deus
30 de dez de 2006

Eles dizem estar em protesto pela falta de assistência alimentar do órgão durante o período de chuvas, com o fornecimento de cestas básicas

Cerca de 40 índios terenas estão acampados na sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Cuiabá, desde a última quinta-feira. Eles cobram a assistência alimentação durante todo o período de chuvas (janeiro a abril) e a demarcação de 30 mil hectares da reserva indígena "Terena do Iriri", no município de Peixoto de Azevedo.

De acordo com o cacique Cirênio Terena, havia uma reunião prevista com a diretoria da Funai, mas quando os índios chegaram a Cuiabá foram informados que o órgão está em recesso. "Viemos conversar sobre um projeto de assistência (cesta básica). Ficamos sem assistência agrícola para plantar no tempo certo. Não tivemos óleo diesel e trator para plantar", disse.

O cacique explicou que ao todo são 75 famílias que moram em 30 hectares, onde foram erguidas 50 casas, escolas, posto de saúde, entre outras benfeitorias. No entanto, a área está localizada a 200 quilômetros da reserva indígena Iriri, nome do rio que passa pela aldeia.

"Lá (reserva) tem muita caça e peixe. O problema é que a área está intransitável e precisamos de alimentação", afirmou. "Nossa luta também é por assistência agrícola para plantar no próximo ano", acrescentou lembrando que falta a demarcação de limite dos 30 mil hectares já homologados pelo governo federal.

Cirênio Terena lembrou que as famílias fazem parte do grupo de terenas de Rondonópolis que veio de Mato Grosso do Sul (MS), na década de 80, em decorrência da pequena quantidade de terra disponível no estado vizinho.

As primeiras famílias da etnia saíram da Aldeia Buriti, em Dois Irmãos do Buriti (MS) e se instalaram na região sul de Mato Grosso atraídas principalmente por empregos no corte de cana das usinas de Sonora. Sem terras definidas, eles ficaram por longo tempo em periferias de Rondonópolis.

Os terenas prometem permanecer na sede da Funai até conseguirem manter contato com algum diretor do órgão. A reportagem do Diário não conseguiu manter contato com a administração regional da Funai para falar sobre o assunto.

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