CIR-Boa Vista-RR
02 de Dez de 2004
Nelson da Silva Macuxi, desaparecido desde o ataque de arrozeiros, fazendeiros e alguns índios à aldeia Jawari, prestou depoimento segunda feira, 29/11, na Polícia Federal. Ele retornou à comunidade na última sexta-feira, três dias após a destruição e no sábado pela manhã relatou o que havia acontecido ao cinegrafista do Conselho Indígena de Roraima - CIR, Davison Wapichana.
Nelson Macuxi conta que estava em Jawari para ajudar na construção de casas e também na pescaria para alimentação da comunidade. Segundo relatou, por volta das 6 da manhã do dia 23, quando ele e o tuxaua (cacique) Júnio Constantino retornavam da pescaria perceberam que a aldeia estava sendo atacada pelos rizicultores e um grupo de índios.
Quando chegaram em Jawari, o tuxaua Júnio Constantino foi para sua casa "tentar salvar alguma coisa" e o Nelson Macuxi correu para pegar sua bolsa onde guardava rede, lençol, roupas e documentos, na casa que já estava em chamas.
Quando ele saiu da morada ouviu vários disparos de revolver e espingarda que não sabe identificar de onde partiram devido a fumaça das casas queimadas. Ao ouvir Jocivaldo Constantino, a cerca de dez metros, gritar que havia sido baleado, Nelson tentou socorre-lo e correram os dois em direção ao lavrado, neste instante, Jocivaldo Constantino ficou estirado no chão devido o disparo contra ele efetuado e Nelson Macuxi correu só em direção ao igarapé conforme conta.
Na fuga, duas pessoas altas, segundo recorda, perseguiram os dois efetuando vários disparando que não os atingiu. Ele lembra que Jocivaldo caiu no chão e não conseguiu mais se levantar, por isso ele fugiu sozinho para o lavrado.
Após meia hora correndo chegou no retiro do indígena Militão e contou tudo o que tinha acontecido. De lá partiu para a fazenda Saimâ em buscar de transporte para deslocar-se até a aldeia da Raposa em busca de ajuda. Não tendo transporte ele retornou para Jawari, três dias depois do ataque e destruição da aldeia.
"Quando cheguei vi a filha do tuxaua. Ela pensava que eu estava morto", afirma Nelson Macuxi.
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