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Índia acusada de usar filho em suas vendas

Diário Catarinense-Florianópolis-SC
Autor: ÂNGELA BASTOS
11 de Set de 2003

Mulheres e crianças indígenas que vendem artesanato no Centro de Florianópolis passaram por um susto no final da tarde de segunda-feira. Uma intervenção de profissionais do conselho tutelar, programa Abordagem de Rua e da Secretaria de Urbanismo e Serviços Públicos (Susp) da Capital resultou em pânico.

Duas crianças se perderam das mães. Uma delas, de quatro anos, dormia próximo ao Terminal Rita Maria quando foi encontrada à noite e levada para a casa de uma pessoa que ontem pela manhã a devolveu à família. As índias são acusadas de usarem as crianças para atrair clientes e não estão mais expondo os produtos.

Uma reunião às 16h de hoje com o Grupo de Índios Desaldeados da Grande Florianópolis e a procuradora da República Analúcia Hartmann pretende chegar a uma solução. O grupo é representado por Edson Flávio Veloso Ercego e responde por 230 indígenas das etnias Guarani, Xokleng e Kaingang, que vivem na grande Florianópolis.

Ercego explica que não existe um lugar onde os pais possam deixar os filhos e que por isso preferem trazê-los para o Centro. "A subsistência deles depende da venda do artesanato. Por isso estamos tão preocupados com as medidas tomadas", explicou à procuradora da República.

Bruno Matos atua na equipe de Abordagem de Rua. "Nossa preocupação é com a exploração da mão-de-obra infantil. Estão nos acusando de pegar as crianças, o que não procede. Se alguma delas desapareceu foi por causa de negligência deles", disse Matos. Conforme o integrante da equipe do programa, os indígenas são do RS e de Xanxerê.

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