O Globo, O Pais, p.15
02 de Nov de 2004
Independent: trabalho escravo destrói floresta
Jornal inglês diz que há 25 mil escravizados na região amazônica
Desta vez, o alvo do jornal inglês The Independent foi a floresta amazônica. Vinte dias depois da reportagem em que chamava o Rio de cidade da cocaína e da carnificina, que provocou protestos do governo do estado, o Independent, um dos principais da Grã-Bretanha, abordou o problema do trabalho escravo na região amazônica sob a ótica da destruição da floresta, um tema que atrai a atenção dos britânicos, preocupados com os efeitos do aquecimento da terra.
A reportagem publicada ontem, intitulada As vítimas humanas do desastre da floresta tropical brasileira, diz que cerca de 25 mil homens trabalham como escravos na região, que o governo brasileiro aceita esse número e que a estimativa foi feita com base em imagens de satélite usadas para avaliar o desmatamento.
O trabalho forçado ajuda a destruir a preciosa floresta
Numa era de crescente preocupação com o tráfico de seres humanos, das vítimas da máfia chinesa até as mulheres do Leste europeu forçadas à prostituição em casas de massagem da Europa, o peão ou trabalhador forçado no Brasil é um exemplo de uma injustiça arraigada, uma classe de escravos cujo trabalho forçado ajuda a destruir milhares de acres da preciosa floresta tropical e contribui para o aquecimento global, diz a reportagem.
O jornal inglês conta a história de um homem que tentou assassinar dois empregados no Pará para não ter que pagar a eles três meses de salário. Segundo o jornal, embora o governo brasileiro insista em afirmar que casos de assassinato na região são raros, 534 assassinatos de trabalhadores rurais foram registrados no sul do Pará de 1971 a 2001, 26 vezes a taxa de homicídio nacional, afirma o texto.
Segundo o Independent, o governo Lula lançou um programa de combate ao trabalho escravo que produziu avanços na área. Mas um relatório aprofundado sobre o tema, produzido pela Organização Internacional do Trabalho, teria sido mantido em segredo porque mostraria que os Estados Unidos se beneficiam de trabalho escravo nas florestas brasileiras.
O Globo, 02/11/2004, p. 15
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