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Indefinição em centro trava pedido de patentes

OESP, Vida, p. A21
10 de Fev de 2008

Indefinição em centro trava pedido de patentes

Lisandra Paraguassú

Criado em 2002, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), em Manaus, emprega hoje 86 pessoas, a maioria diretamente envolvida com pesquisas. Desenvolveu cinco produtos prontos para serem patenteados, de cosméticos a químicos para uso em tintas. Do ponto de vista jurídico, porém, o CBA não existe.

Até hoje o governo federal, responsável pelo centro, não conseguiu decidir se a instituição será fundação, departamento de um ministério ou autarquia. Sem isso, o CBA não tem personalidade jurídica e suas patentes até agora não puderam ser registradas.

Seus funcionários trabalham por meio de contratos com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). No final do mês passado, um decreto presidencial instituiu um comitê interministerial que irá coordenar o CBA. Formado por seis ministérios, o comitê terá a incumbência de "deliberar sobre as diretrizes e prioridades do plano estratégico do CBA, bem como monitorar a execução das tarefas do seu plano de trabalho". Mas nada é dito sobre a situação jurídica do centro.

Apesar de o prédio imponente do CBA ter ficado pronto em 2002 - área de 12 mil m2 com 25 laboratórios -, os trabalhos de pesquisa começaram a deslanchar só em 2006, quando o Ministério da Ciência e Tecnologia repassou recursos de fundos setoriais.

Mas, fora isso, o CBA ficou praticamente esquecido nos escaninhos da burocracia. Apesar dos discursos sobre investir em áreas prioritárias para pesquisa, entre elas a Amazônia, ninguém se deu ao trabalho de determinar as prioridades estratégicas dos estudos a serem desenvolvidos no centro. O comitê interministerial surgiu apenas depois de o governador do Amazonas, Eduardo Braga, ter implorado, "pelo amor de Deus", ao ministro da Secretaria de Longo Prazo, Mangabeira Unger, que o ajudasse a arrumar uma solução para o CBA, em vez de cuidar das idéias mirabolantes como o aqueduto para levar água da Amazônia para o Nordeste. "O centro hoje é uma anomalia jurídica. Existe e não existe. Hoje tem cinco produtos para patentear e não pode", critica o governador. "O que impede que um desses cientistas saia de lá e faça a patente de sua pesquisa em outra empresa? Vão-se anos de investimento."

Entre as pesquisas prontas para patente há cosméticos, refrigerantes e reagentes químicos para tintas. Todos feitos com produtos da Amazônia e desenvolvidos com recursos públicos. Para o Ministério do Desenvolvimento, que coordena o comitê interministerial, a situação do CBA deve ser resolvida "em breve". No entanto, nem todos os ministérios indicaram representantes para que o comitê comece a funcionar.

OESP, 10/02/2008, Vida, p. A21

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