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Incra realiza pesquisa sobre comunidade quilombola de Bom Jardim (PA)

Fonte: Clipping da 6ªCCR do MPF.
26 de Set de 2007

Incra realiza pesquisa sobre comunidade quilombola de Bom Jardim (PA)
HOME PAGE MINISTERIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO, 26.9.2007

Entrevistas, assembléias comunitárias e levantamento de dados documentais. Esses foram alguns dos trabalhos realizados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) durante a pesquisa antropológica de campo sobre a comunidade de remanescentes do quilombo Bom Jardim, em Santarém (PA). A Superintendência do Incra em Roraima disponibilizou um antropólogo para realização do trabalho. A primeira etapa da pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 31 de agosto. "Visitei o território para constatar a existência de reminiscências históricas sobre a ocupação tradicional do território pelos quilombolas, conversei com cerca de 20 moradores e lideranças da comunidade e realizei registros fotográficos", ressaltou o antropólogo José da Guia Marques. De acordo com Marques, a previsão é que a segunda fase da pesquisa seja realizada em outubro. No período, será dada continuidade ao levantamento das informações de campo, além de pesquisa documental nos cartórios e outros órgãos públicos. A terceira e última etapa do levantamento será no mês de dezembro, com a definição do perímetro e dos limites do território quilombola e com a apresentação da versão preliminar do relatório à comunidade. O trabalho antropológico vai integrar o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) do território. Para compor o documento, serão necessários também dados agronômicos e topográficos, planta e memorial descritivo do território e levantamento da cadeia dominial (verificação de quem teve o domínio da terra ao longo dos anos).

Histórico

As terras de Bom Jardim foram deixadas para os negros como herança pelos seus antigos senhores. Antes de morrer, a senhora Joaquina da Silva Ferreira, que era a dona da Fazenda Bom Jardim, expressou em testamento sua vontade de libertar seus escravos por bons serviços prestados, o que deveria ser feito após a morte de seu marido. Assim, quando morreu José Francisco Ferreira Filho, em 1876, os escravos ganharam a liberdade e as terras da fazenda. Nessas terras, os quilombolas de Bom Jardim vivem até hoje, são aproximadamente 70 famílias distribuídas em três mil hectares. Mas, de acordo com a comunidade, não tem sido fácil resistir à pressão dos interessados nas terras. Atualmente, uma parte significativa do território encontra-se ocupada por fazendeiros. "Segundo relatos da comunidade, vários descendentes dos quilombolas venderam ou trocaram seu pedaço de terra por rádios, bicicletas e redes, o que caracteriza uma relação de subalternidade. As atuais lideranças querem a retomada da terra para comunidade", relatou Marques. "Outro problema enfrentado é que o igarapé do Curvão, considerado sagrado pela comunidade, foi apropriado e cercado por um fazendeiro", acrescentou.

Fonte: Clipping da 6ªCCR do MPF.

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