OESP, Nacional, p.A9
04 de Set de 2004
Incra e Ibama são acusados de cobrar propina
No PA, agricultor diz que órgãos condicionavam liberação de verba a doação para candidata do PT
Carlos Mendes
Especial para o Estado
Belém - Uma denúncia feita ao Ministério Público do Pará no fim de julho por um agricultor de Altamira deve apimentar ainda mais a campanha à prefeitura de Belém. Em depoimento ao promotor José Vicente Miranda Filho, o presidente da Associação dos Pequenos Produtores de Cristalândia, Luiz Carlos Gomes Holanda, acusa o superintendente do Incra, Roberto Faro, e o gerente-executivo do Ibama, Marcílio Monteiro, de prometer liberação de recursos federais para associações de produtores rurais em troca de 15% a 20% de comissão para a campanha da senadora Ana Júlia Carepa (PT) à prefeitura de Belém. Os dois negam e avisam que vão processá-lo.
Holanda garantiu que a proposta foi gravada, mas não mostrou a gravação no depoimento. Disse que primeiro iria "esconder" seus familiares em Altamira, para evitar represálias, e depois retornaria a Belém para entregar a fita. Não apareceu na capital e em Altamira ninguém sabe onde se encontra. A primeira cobrança de propina, segundo ele, teria ocorrido em reunião em 27 de maio, data da suposta gravação, na sede da Associação dos Agricultores de Altamira. Os agricultores teriam recusado a proposta.
Na segunda reunião, em Belém, em 21 de julho, no Incra, a proposta teria sido repetida. Como houve nova recusa, Holanda afirmou que Faro ameaçou não liberar recursos para os assentamentos. E, ao saber que a reunião anterior tinha sido gravada, teria agredido o agricultor, ferindo-o na cabeça.
Calúnia - Faro negou ter ido à reunião em Altamira e garantiu que passou o dia 21 de julho reunido no Incra com uma comissão de agricultores independentes do nordeste do Estado. Negou também ter agredido o agricultor. "Não sei nem quem é. Estou reunindo documentos para processar este cidadão por calúnia e difamação", disse.
"Nunca estive em reunião nenhuma nesse dia 27 de maio e também não sei quem é esse cidadão", reagiu Monteiro. Para ele, o agricultor estaria criando um "factóide" para prejudicar a candidatura de Ana Júlia.
Monteiro disse ter pedido à Policia Federal a apuração da denúncia. "Isto tudo é uma mentira e eu vou processá-lo." Ana Júlia não foi localizada para comentar. Vicente Miranda enviou a denúncia ao chefe do Ministério Público Federal no Estado, Ubiratan Cazetta.
Correção
O ex-secretário de Planejamento do Amazonas, José Carlos Braga, não está técnicamente indiciado no inquérito policial que apura desvio de verbas publicas e lavagem de dinheiro no governo do Amazonas, conforme noticiou o Estado. O inquérito, de mais de mil páginas a que o Estado teve acesso, diz que Braga, que é irmão do governador do Amazonas, "também é parte integrante do núcleo de Cordeiro (deputado estadual Antônio Nascimento Cordeiro, indiciado e acusado de ser o líder da quadrilha que desviou dinheiro do Estado). O inquérito baseia-se em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, nas quais José Carlos Braga é citado por vários integrantes da quadrilha já indiciados, como um facilitador das ações do grupo dentro do governo.
OESP, 04/09/2004, p. A9
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