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Incerteza impede Maggi de expandir o plantio

GM, Agronegocios, p.A1, B12
03 de Jun de 2005

Incerteza impede Maggi de expandir o plantio
Câmbio e custos fixos levam o maior produtor de grãos do mundo a agir com cautela. Pela primeira vez em seus 26 anos de história, o Grupo André Maggi - o maior produtor de grãos do mundo - não irá expandir a área cultivada na safra 2005/06. "O quadro ainda é muito nebuloso para a agricultura em função da crise do setor rural. Por isso, optamos pela cautela", diz Pedro Jacyr Bongiolo, presidente do grupo. A intenção é manter a área cultivada com soja, milho e algodão em 190 mil hectares, extensão pouco maior que a do município de São Paulo. "Nossa meta era aumentar a área em 5% e plantar 200 mil hectares. Mas os planos terão que esperar", diz. Com isso, o faturamento deverá se manter em US$ 700 milhões.
A incerteza no campo tem como principal termômetro a soja. Os contratos futuros do grão caíram 16,8% nos últimos 12 meses e foram negociados ontem a US$ 14,77 a saca na Bolsa de Chicago, que é referencial de preços para o Brasil.
Na média, os preços não estão ruins - historicamente, a saca é cotada a US$ 10 -, mas a desvalorização do dólar, que recuou 23,3% no mesmo período, espremeu a rentabilidade no campo. "Durante os últimos três anos, os produtores não se protegeram contra a variação cambial e a estratégia funcionou muito bem. Creio que a experiência de 2005 vai acelerar o movimento de profissionalização no campo", diz José Luiz Glaser, diretor do complexo soja da Cargill, uma das maiores esmagadoras de soja do País.
"De fato, o preço internacional da soja está ótimo, mas, além do dólar, os custos fixos com mão-de-obra e logística subiram muito no último ano", diz Bongiolo. Ele estima que somente os itens cotados em reais tenham tido alta de 25%.

Incerteza impede Maggi de expandir...
O preço do frete entre Rondonópolis (MT) e o Porto de Santos (SP) subiu 55% em dois anos, para US$ 62 a tonelada, diz.
Apesar do sinal vermelho, o grupo Maggi não pretende parar de investir. Os projetos dependem, no entanto, da privatização das rodovias BR-163 e BR-158. Bongiolo diz que a Maggi já pré-aprovou a expansão de sua capacidade de armazenagem e a construção de mais uma esmagadora de soja em Itacoatiara (AM) ou Cuiabá. O objetivo com a obra é dobrar a atual capacidade de esmagamento do grupo, que é de 1,1 milhão de toneladas por ano.
Politicamente correto
Nos últimos dois anos, a Maggi, que também compra soja de terceiros para exportar, desenvolveu uma cartilha "politicamente correta" que regulamenta a aquisição do grão. "Partiu de um desejo nosso e de um pedido de compradores internacionais", diz Bongiolo. A cartilha orienta sobre quais são as melhores práticas ambientais. A partir deste ano, a empresa enviará seus técnicos a campo para elaborar um dossiê da situação de cada fornecedor, com orientações para que eles se enquadrem na legislação vigente. A Maggi compra soja de cerca de 3 mil produtores.
Outra prerrogativa é que a empresa não compra soja de agricultores que usam trabalho escravo, infantil ou plantam em áreas de conflito indígena, sob a pena de terem o relacionamento cortado. No ano passado, o grupo emprestou US$ 130 milhões para 600 sojicultores no Mato Grosso. O financiamento foi feito com sementes de soja produzidas pelo próprio grupo, agroquímicos comprados de terceiros e fertilizantes importados pela própria Maggi de Israel.
Quando o assunto é transgênicos, Bongiolo se mostra um pouco reticente. "Ainda há poucas variedades adaptadas ao Mato Grosso. Além disso, gostaríamos de nos especializadar em soja convencional, desde que os prêmios pagos sejam compatíveis com o investimento necessário para segregar a soja", afirma o executivo.
Ele diz que em 2005/06 a Maggi vai cultivar de 1% a 2% de sua área com transgênicos, "a título de experiência". "Sei que não podemos ficar fora deste mercado, mas ele não é a menina dos nossos olhos".
Ele diz que a Maggi não pretende cultivar nenhuma outra cultura transgênica. "Não vamos plantar algodão transgênico porque o produto ainda não foi aprovado, mas, com a atual situação de mercado, é possível que na próxima safra a gente não plante nenhum hectare de algodão, seja transgênico ou convencional". Em 2004/05, o grupo plantou 11 mil hectares de algodão, 41 mil hectares de milho e 140 mil hectares de soja. "Talvez toda a área de algodão seja absorvida pela soja". O grupo deve fechar a safra 2004/05 com uma colheita de 600 mil toneladas de produtos.

GM, 03-05/06/2005, p. A1, A6

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