O Globo, Amanhã, p. 24
21 de Mai de 2013
Incentivos verdes
Apesar do potencial hídrico, eólico e solar e do tamanho e riqueza da biodiversidade, o Brasil aparece nos últimos lugares em um ranking de países que mais investem em iniciativas sustentáveis
Agostinho Vieira
oglobo.globo.com/blogs/economiaverde
O trabalho, feito pela empresa de consultoria KPMG e intitulado "Índice de Imposto Verde", coloca o país na 18ª posição entre 21 nações que deram algum tipo de incentivo fiscal para projetos ambientais. O levantamento analisa com os governos usam as suas políticas de impostos para lidar com os grandes desafios socioambientais do planeta. Além do ranking geral, ele considera itens específicos, como segurança, escassez de água, energia, poluição e mudanças climáticas.
A posição do Brasil varia muito de acordo com as áreas analisadas. Ora aparecendo com algum destaque, ora nem sendo incluído na classificação. É o caso, por exemplo, de temas como eficiência energética, penalidades fiscais e construções verdes, onde o país sequer aparece. Já quando se trata de inovações verdes, ocupamos um curioso terceiro lugar, atrás apenas da Coreia do Sul e do Canadá. Muito provavelmente por conta ainda do uso disseminado do etanol como combustível.
A ideia de usar álcool nos carros é elogiada, mas a nossa classificação na seção veículos verdes é lamentável. Estamos entre os últimos. Nossos automóveis são ineficientes, poluentes e não há qualquer incentivo ao carro elétrico. Muito pelo contrário, continuamos isentando de impostos a produção de veículos convencionais, movidos a combustíveis fósseis. Também estamos no final da fila em temas como manejo de resíduos e proteção de ecossistemas.
O trabalho considerou mais de 200 diferentes tipos de incentivos fiscais utilizados pelos países. Pelo menos 30 deles foram criados no último ano, o que mostra um crescimento acelerado dos investimentos verdes no panorama mundial. Seria ingênuo pensar que esse movimento reflete apenas uma preocupação com o meio ambiente. Ele revela, antes de tudo, uma corrida por oportunidades comerciais que uma economia de baixo carbono oferece.
Não é à toa que países como EUA, Japão, China e Alemanha lideram o ranking. Os americanos se preocupam com eficiência energética e energia renovável. O Japão lidera em veículos verdes. China e Alemanha brigam pela produção de painéis solares. E nós? Bem, nós vamos convivendo com a falta de saneamento e pensando em plantar cana na Amazônia.
O Globo, 21/05/2013, Amanhã, p. 24
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