OESP, Nacional, p. A15
30 de Abr de 2005
Impasse torna difícil liberação pacífica dos 4 policiais em RR
Vasconcelo Quadros
A libertação pacífica dos quatro policiais mantidos como reféns pelos índios macuxis, na Comunidade Flexal, na reserva Raposa Serra do Sol, a 360 quilômetros de Boa Vista, ficou mais difícil. Depois de uma reunião tensa, ontem, entre os membros da comissão indicada pelo governo e os caciques que representam os índios contra a homologação em área contínua, chegou-se a um impasse. O governo endureceu e não abre negociação sem a libertação dos policiais nem vai mandar um interlocutor à área. Os índios não deram nenhum sinal de que podem libertar os reféns e se dizem preparados para um eventual ataque. "Não haverá moeda de troca. Se atendermos alguma exigência estará caracterizado um seqüestro", disse, no fim do encontro, o superintendente da Polícia Federal em Roraima, José Francisco Mallmann.
O clima da reunião azedou quando um dos representantes do governo estadual, Joaquim Souto Maior Neto, adjunto da Casa Civil, reclamou da falta de proposta e afirmou que "seria mentir para os índios" chegar a aldeia sem uma alternativa de negociação. Os três assessores do governo - Camilo Menezes, do Gabinete de Segurança Institucional, Marcelo Behar, da Justiça, e Celso Corrêa, da Casa Civil - se recusaram a seguir para Flexal com o presidente da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiur), José Novais, três caciques (tuxauas na língua indígena) e dois representantes do governo do Estado num helicóptero do Exército. Como a situação é tensa na área, eles temiam virar reféns. Além disso, não têm autorização oficial para oferecer nada em troca da libertação.
Sem uma alternativa que facilitasse a negociação, os assessores também não quiseram assinar uma pauta de reivindicações apresentada pelos caciques. Eles acham que os arrozeiros, capitaneado pelo prefeito de Pacaraima, Paulo Cesar Quartiero, estão por trás da ação dos índios no seqüestros. Também acham que o governo estadual não está facilitando as negociações. O governo radicalizou o discurso e insiste que qualquer conversa sobre as demandas da Raposa Serra do Sol só ocorrerá após a libertação dos policiais.
As medidas que o governo discutirá depois giram em torno de um pacote de ações administrativas que, na verdade, já fazem parte dos planos de um comitê gestor que analisará um programa federal para Roraima.
"Qualquer decisão só será tomada pelos tuxauas do Flexal", explicou Jonas Marcolino, líder da comunidade de Contão, a cerca de 90 quilômetros do cativeiro dos policiais. Os próprios líderes não acreditam que os índios libertem os policiais ou que seus caciques aceitem vir a Boa Vista para abrir negociação com a comissão. A tensão na área aumenta sempre que há movimentação das forças federais na região.
No Pelotão Especial de Fronteira, em Uiramutã, estão baseados cerca de 250 policiais federais treinados para agir em situações de seqüestro com reféns e operações de risco. Na aldeia existem cerca de l.200 índios, muitos deles, guerreiros que serviram o Exército. Sabe-se que eles estão armados.
OESP, 30/04/2005, Nacional, p. A15
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