VOLTAR

'Impactos podem ser minimizados com a recuperação dos rios'

O Globo, Rio, p. 9
Autor: EGLER, Cláudio
04 de Jan de 2013

'Impactos podem ser minimizados com a recuperação dos rios'

Corpo a Corpo
Cláudio Egler

Geógrafo afirma que faltam ações integradas para adaptar cidades da Região Metropolitana do Rio às mudanças climáticas

A tragédia ao longo do Rio Capivari, em Duque de Caxias, podia ter sido evitada se obras de dragagem tivessem sido feitas nos últimos anos?

De certa forma, se o rio estivesse limpo, os impactos seriam menores. Mas Xerém está na base da encosta, e o fenômeno natural que ocorreu - uma cabeça d"água - só poderia ser minimizado com uma conjunção de fatores. Primeiro, é preciso que a população esteja preparada para agir quando as sirenes soarem. Falta treinamento. Proteger os rios, evitar que as margens sejam ocupadas, obedecendo ao Código Florestal, também é fundamental. São necessárias obras de engenharia, como a construção de diques e piscinas de retenção. São obras que custam caro, mas há dinheiro para fazê-las. Não é possível evitar a cabeça d"água, mas a mitigação dos impactos, é possível sim. Um dos caminhos é buscar ao máximo possibilitar renaturalizar os leitos do rios. Portugal e França têm ações bem-sucedidas nesta área.

Nesta tragédia em Xerém houve algum fator excepcional que não podia ser previsto pelas autoridades?

Não. A tromba d"água é um fenômeno bastante conhecido e com um histórico na Baixada Fluminense. Quando a água desce a encosta com esta força brutal, o rio tende a buscar o seu leito natural, o que chamamos de "pulso de inundação". Se há ocupação das margens e canalização do rio, aí teremos um problema. É preciso evitar construções que confinem o rio.

O Estado do Rio tem avançado em obras de engenharia para evitar tragédias?

Falta uma ação integrada, pensar a Região Metropolitana como um todo. As mudanças climáticas vão tornar fenômenos como a cabeça d"água mais frequentes e agressivos. Depois de uma tragédia como esta, ainda virão as doenças, como leptospirose. A situação tende a se agravar.

O Globo, 04/01/2013, Rio, p. 9

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.