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Imagens de satélite auxiliam pesquisa sobre exploração de recursos minerais

A Crítica - www.acritica.com
Autor: André Alves
26 de Out de 2010

Pesquisa realizada pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), com a ajuda de imagens de satélite, mostra que a exploração de argila no interior do Amazonas, para a produção de telhas e tijolos destinados à construção civil em Manaus, vem diminuindo os danos ao ambiente ao aperfeiçoar a metodologia de trabalho das olarias.

O estudo iniciado em 2009 e concluído em agosto de 2010 atestou que as cavas abertas para a exploração de argila, nos municípios de Iranduba e Manacapuru, estão sendo reaproveitadas para a criação de peixes. Antes, os espaços abandonados davam lugar à reprodução de vetores.

Nas sete olarias visitadas pelos pesquisadores constatou-se ainda que a exploração da argila está sendo verticalizada, ou seja, que as áreas escavadas estão mais aprofundadas, o que diminui o desmatamento nos espaços explorados - antes abertos de forma horizontal.

"O processo de verticalização de exploração da argila impede que haja maior desmatamento. Ao aprofundar as cavas, eles obtêm a maior quantidade de argila possível e conseguem, inclusive, argila de melhor qualidade", disse a coordenadora da pesquisa, Solange Costa, geóloga e doutora em Sensoreamento Remoto.

Desmate
Conforme a pesquisa, para a queima de tijolos e telhas, as olarias de Manacapuru e Iranduba vem utilizando serragens e resíduos descartados do Distrito Industrial, em Manaus, o que encerra o processo de derrubada de árvores para a queima do produto final.

Resíduos descartados por hotéis de luxo próximos aos dois municípios, e até o entulho resultante da retirada de casas de madeira do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), também são usados nas fornalhas das olarias. De acordo com Solange Costa, o resultado da pesquisa foi uma "surpresa agradável". "Todos estão bem preocupados com o ambiente", comentou a geóloga.

Satélite
A pesquisa foi realizada com o auxílio de imagens do satélite LandSat TM 5, do Sipam, visitas in loco para a comprovação dos dados e o cruzamento das informações com a base de dados do Departamento Nacional de Produção Mineral.

"O levantamento de campo permitiu constatarmos a realidade das imagens de satélite. Os resultados obtidos permitiram a observação da dinâmica da paisagem e o aprimoramento em implementos tecnológicos para ajudar no equilíbrio do meio ambiente", disse Suzy Xavier Costa, bolsista que trabalhou no projeto.

Para ela, com a realização da pesquisa "foi possível perceber o quanto o setor oleiro vem buscando alternativas ao longo dos anos para minimizar ao máximo os danos ao meio ambiente".

Simpósio
O resultado do estudo "Análise da Sustentabilidade da Exploração dos Recursos Minerais de Uso na Construção Civil na Região de Iranduba e Manacapuru", realizado pelo Programa de Apoio à Iniciação Científica (PAIC) 2009/2010 do Centro Regional do Sipam em Manaus em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), deve ser apresentado no Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, que acontecerá em Curitiba, no mês de abril do ano que vem.

Reflorestamento
Nos municípios de Iranduba e Manacapuru, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado Amazonas (Fapeam) e a Embrapa também realizam estudo em área reflorestada com a plantação de Acácias.

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