OESP, Vida, p. A22
Autor: SALOMON, Marta
04 de Mai de 2011
Imagem de vestido de noiva contrasta com clima de guerra
Marta Salomon
Ao final de mais uma rodada de negociação ontem à noite no Palácio do Planalto, o relator da reforma do Código Florestal, Aldo Rebelo (PC do B-SP), voltou a comparar seu texto à imagem de um vestido de noiva, que passava por novos ajustes. Ele lançou a imagem em manifestações públicas para mostrar sua disposição de um acordo com o governo em termos bem diferentes daqueles que havia conseguido aprovar em comissão especial da Câmara dos Deputados, em julho de 2010.
Apesar de usar metáforas de um casamento, o cenário das negociações travadas sobretudo nos últimos três meses foi de uma guerra entre propostas de ambientalistas e ruralistas, com o relator oscilando entre os grupos. A proposta de Rebelo foi sendo desconstruída à medida que avançava um acordo dentro do governo, conduzido pelo ministro Antonio Palocci (Casa Civil).
Em linhas gerais, o acordo depois imposto a Rebelo - e em grande parte aceito por ele - não é um horror nem para ruralistas nem para ambientalistas, embora defensores de ambas as bandeiras se digam insatisfeitos. O resultado mais imediato da votação de um suposto texto de acordo será a suspensão de multas a que os proprietários rurais ficariam sujeitos a partir do mês que vem, caso não se comprometessem a regularizar a situação ambiental de seus imóveis.
O atual Código Florestal cobra a manutenção de vegetação nativa em uma parcela que varia de 20% a 80% das propriedades, dependendo do bioma, a título de reserva legal. Determina também a preservação da vegetação nativa às margens dos rios e nas encostas. Calcula-se que mais de 90% dos produtores rurais não cumpram a legislação.
A reforma do Código Florestal em negociação até ontem à noite promete levar a maior parte dos produtores à legalidade. A começar por permitir que a área de preservação permanente seja descontada do porcentual de reserva legal. Depois, por não cobrar integralmente a recuperação das Áreas de Preservação Permanentes (APPs) nem de reserva legal. A recuperação da vegetação às margens de rios mais estreitos é reduzida a 15 metros, e pelo menos os produtores da agricultura familiar ficarão livres da obrigação de recuperar a reserva legal.
Resta saber o resultado do embate em plenário. A imagem de vestido de noiva tão propalada por Aldo Rebelo dificilmente se refletirá nas galerias, que ruralistas e ambientalistas prometem lotar.
É JORNALISTA
OESP, 04/05/2011, Vida, p. A22
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110504/not_imp714564,0.php
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