Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: LOIDE GOMES
20 de Set de 2005
O bispo de Roraima, Dom Roque Paloschi, anunciou ontem que já está com uma campanha em todas as comunidades da Diocese de Roraima, para arrecadar dinheiro para reconstruir as instalações físicas do Centro de Formação e Cultura Raposa/Serra do Sol (antiga Missão Surumu) , cuja fundação ocorreu em 1909 pelos monges beneditinos. A Diocese ainda não avaliou o tamanho do prejuízo.
Segundo ele, a Igreja já começou a limpar o local para que as aulas retornem o mais rapidamente possível a fim de evitar maiores prejuízos aos alunos. Trinta alunos cursavam o ensino médio profissionalizante no local.
O incêndio destruiu todo o complexo formado pela casa das irmãs, um hospital, uma escola, o Centro de Formação da Cultura Raposa/Serra do Sol e uma igreja. O professor Júlio Pinto, que ministrava o curso de Mecânica, foi agredido fisicamente e teve o carro queimado. Um paciente que era transportado por uma ambulância da Funasa (Fundação Nacional do Índio) foi ferido no rosto por estilhaços dos vidros danificados pelos agressores.
Em nota, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) condenou ontem o ataque. No documento, o presidente da CNBB, cardeal Geraldo Magela, o vice-presidente, Dom Antônio Celso de Queirós, e o secretário-geral da instituição, Dom Odilo Sherer, manifestaram "o mais veemente repúdio contra este ato de vandalismo, que se inscreve no contexto das resistências contra a homologação da terra indígena Raposa/Serra do Sol, causa abertamente apoiada pela Igreja Católica".
O mais alto clero da Igreja no Brasil apelou para que as autoridades se empenhem para elucidação do caso, para que possa evitar fatos semelhantes no futuro. "Manifestamos nossa esperança que a homologação da terra indígena Raposa/Serra do Sol possa levar a paz e convivência serena às populações que vivem na área. Ao mesmo tempo encorajamos a Diocese de Roraima e as organizações e iniciativas locais da Igreja para que não se deixem abater na sua dedicação missionária junto aos povos indígenas de Roraima".
Dom Roque e o bispo emérito de Roraima, Dom Aldo Mongiano, também divulgaram nota conjunta condenando o ataque. Eles classificaram o ato de covardia e terrorismo. "A destruição da missão é uma profunda afronta aos direitos humanos", escreveram.
Eles afirmaram ainda que atacar a igreja pelo seu apoio à causa indígena foi errar o foco, pois a homologação foi um ato de justiça do governo para com os macuxi, ingaricó, taurepang e wapixana que historicamente ocuparam a região. Dom Roque segue hoje pela manhã para a aldeia Maturuca, onde participará dos festejos.
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