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Igarapés sofrem assoreamento

A Crítica - www.acritica.com.br
Autor: Elaíze Farias
10 de nov de 2009

O despejo de resíduos retirados do igarapé do Franco, na Compensa, em uma área ambiental do Tarumã, ambos na Zona Oeste, está acabando com as nascentes de igarapés localizados entre a estrada da praia Dourada e alguns condomínios da estrada do Cetur.

A denúncia vem dos moradores dos conjuntos. "Estão extraindo resíduos de um igarapé para destruir outro. Se alguém quer saber como um igarapé 'morre' deve vir aqui", disse o biólogo Marconi Campos, morador do conjunto Morada dos Nobres, localizado próximo à área. O descarte dos resíduos faz parte das obras do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) e são feitos pela empresa Etam, contratada pela Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf).

Ontem de manhã, a reportagem de A CRÍTICA visitou a área e comprovou o assoreamento de nascentes de pelo menos dois igarapés. Um depósito de água está praticamente coberto de barro. A vegetação também está seriamente afetada, com alguns trechos já descaracterizados. Os moradores acreditam que o local faça parte da Área de Proteção Ambiental (APA) do Tarumã.

Crosta

A pelo menos 300 metros de distância, pode-se observar um barranco de onde escorrem as sobras dos resíduos despejados por máquinas da Etam e que se acumulam nas nascentes. Uma crosta preta, possivelmente causada por acúmulo de sedimentos, mistura-se à água dos igarapés.

Marconi Campos disse que, se as obras não forem paralisadas, as nascentes correm o risco de desaparecer. Ele conta que, independente de ações administrativas do Poder Público, pretende, junto a colegas, realizar um trabalho de recuperação do único igarapé que está razoavelmente intacto, mas que já sofre com o despejo dos resíduos. "É preciso tomar medidas de contenção e de recuperação da vegetação", disse.

A situação não é nova. Ano passado, a Associação dos Moradores do Jardim Friburgo enviou uma denúncia à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabulidade (Semmas). O documento relata a situação de despejo de obras e pede "uma análise detalhada da área". "Como se trata de uma encosta, poderá haver lixiviação para o igarapé e/contaminação do lenço freático", diz. A dona de casa Naice Maguire, uma das autoras do documento, disse que o pedido de avaliação nunca foi atendido pela Semma.

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