OESP, Cidades, p. C18
20 de Set de 2008
Idec sugere cobrar Sabesp por alga
Para órgão, abatimento na conta de água pode ser pedido; só chuvas fortes devem resolver o problema
Eduardo Reina
Os consumidores que se sentirem lesados por receber água com cheiro e gosto provocado por algas devem queixar-se à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e cobrar abatimento na conta. O problema das algas na Represa do Guarapiranga afeta o produto que chega às torneiras de aproximadamente 4 milhões de consumidores na capital e em parte da Região Metropolitana de São Paulo.
Segundo a advogada Karina Grow, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o fornecimento de água ou outro serviço público é regido pelo Código de Defesa do Consumidor e o artigo 22 determina que os concessionários "são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos".
"É um caso bastante complicado, mas é preciso reclamar na Sabesp por conta desse desconforto e da má qualidade. Pode ser pedido abatimento na conta, apesar de o produto não estar faltando nas torneiras nem fazer mal à saúde. Mas só o abastecimento e a garantia de ser próprio para o consumo não é suficiente. A pessoa pode comprar outra água para beber, mas não dá para comprar água para tomar banho", explicou. A companhia já adiantou que não dará desconto nas contas dos clientes afetados pelo surto da alga.
O problema na Guarapiranga será solucionado quando chegar o período de chuvas fortes. Só as chuvas poderão dissolver as colônias de cianobactérias que exalam o cheiro e provocam gosto de inseticida na água. A previsão é de que o período de chuvas mais fortes tenha início no fim de outubro.
Também é esperado que as colônias de algas diminuam espontaneamente, pois esse tipo de organismo tem um ciclo de vida cujo auge acontece nesse período. Depois, a tendência é que esse ciclo se desacelere.
SAUDÁVEL
Para eliminar o problema, são aplicados, durante o tratamento, carvão ativado e permanganato de potássio, segundo o gerente da Unidade de Tratamento de Água da companhia, Márcio Savoia. Entretanto, durante a ação que elimina o organismo, a alga exala uma substância chamada geosmina, responsável pelo desconforto. O odor e o gosto não podem ser retirados da água.
Esse tipo de organismo se alimenta principalmente de nutrientes existentes nas águas da represa, originados pelo excesso de esgoto despejado no manancial. Savoia explicou que, associados a essa situação, o sol forte e as poucas chuvas dos últimos dias favoreceram o crescimento das algas. "É importante destacar que a água fornecida é totalmente segura, dentro dos padrões de consumo. As pessoas podem ficar tranqüilas", garante.
A Guarapiranga estava ontem com metade de sua capacidade de armazenamento preenchida. O índice medido pela Sabesp era de 52,2%. A quantidade de chuvas registradas desde 1o de setembro acumulava 18,8 milímetros. A média histórica para o mês é de 79,5 milímetros, segundo medição da própria companhia.
OESP, 20/09/2008, Cidades, p. C18
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