Valor Econômico, Especial, p. A18
Autor: GRAZIANO Xico; RICUPERO, Rubens
25 de Out de 2018
Ideário ambiental do PSL divide especialistas
Por Daniela Chiaretti e Cristiano Zaia | De São Paulo e Brasília
Graziano vê em Bolsonaro única saída; para Ricupero, capitão reformado levará país a retrocesso civilizatório
Graziano: "Minha definição [de voto] foi por encontrar no Bolsonaro alguém capaz de modificar o sistema político"
A polarização política que se observa no Brasil a três dias da eleição presidencial reflete-se na posição de ex-integrantes do poder público que acompanham de perto questões ambientais e agrárias.
Rubens Ricupero, um dos mais prestigiados diplomatas do país, declara voto no petista Fernando Haddad e diz que se Jair Bolsonaro vencer e levar a cabo as ameaças à estrutura ambiental doméstica e internacional, "o Brasil se tornará um pária". No contraponto, o agrônomo Xico Graziano, fundador do PSDB, apoia Bolsonaro por crer que o candidato é o único capaz de reorganizar o Estado.
Ricupero e Graziano concordam apenas em dois pontos e com gradientes distintos: no impacto das ameaças de Bolsonaro, se eleito, de tirar o Brasil do Acordo de Paris, e na ideia de fundir a pasta do Meio Ambiente à da Agricultura. "Seria um erro cataclísmico", diz o embaixador, sobre a intenção de sair do acordo climático. "Ele foi mal assessorado", reconhece Graziano. "Não tem o menor cabimento cair fora do Acordo, que é favorável ao Brasil e ao agronegócio."
Convertido ao ideário de Bolsonaro às vésperas do primeiro turno pelo sentimento antipetista, Graziano minimiza as fortes críticas de opositores que taxam o candidato de autoritário e conservador, e se diz seduzido pela ideia de integrar meio ambiente e agricultura. "Não vejo necessidade da fusão, podem continuar sendo ministérios como são. O que não pode é essa estupidez de Meio Ambiente brigar com a Agricultura", diz.
Ricupero, que já foi ministro do Meio Ambiente, vê nas sinalizações de enfraquecimento da área ambiental uma maior tolerância com o desmatamento. Se o país trilhar este caminho, acredita, perderá o último ativo internacional que lhe sobrou, o de potência ambiental. "Não vai resolver nenhum problema econômico e, ao contrário, deixará o Brasil mais pobre, isolado e desprezado."
O ex-embaixador lembra ainda que Bolsonaro já tem "péssima imagem internacional" pelo seu discurso em relação aos direitos humanos, ambiente, igualdade de gênero e tolerância da diversidade. "Ele já entra (no governo) com rejeição mundial."
Graziano não acredita que Bolsonaro fará retrocessos ambientais. "Na hora em que virar presidente", diz, mudará seu discurso e "vai tentar ser um líder da nação".
Valor Econômico, 25/10/2018, Especial, p. A18
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