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Ibama vê risco de rompimento de barragem em MG

OESP, Metrópole, p. A15
26 de Out de 2016

Ibama vê risco de rompimento de barragem em MG

Leonardo Augusto,

BELO HORIZONTE - O cronograma de obras para contenção de rejeitos da barragem da Samarco em Mariana está atrasado e, por conta das chuvas, uma nova onda de lama pode atingir o Rio Doce voltando a causar danos ambientais e prejudicar o abastecimento de água de cerca de 40 municípios da bacia. A lentidão nos projetos consta em balanço divulgado nesta terça-feira, 25, em Belo Horizonte pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Com as chuvas, e o consequente carreamento de rejeitos, o instituto não descarta a possibilidade de que a lama, ao atingir o Rio Doce, rompa a hidrelétrica de Candonga, que fica no curso d'água, a cerca de 100 quilômetros do local do acidente, e funcionou como um dique no rompimento da barragem da mineradora, tragédia que completa um ano no próximo dia 5. Em outro cenário, o Ibama acredita que a lama poderá passar sobre a hidrelétrica. Em ambos os casos, a lama poderá voltar a atingir o litoral do Espírito Santo, onde está a foz do Rio Doce.
Segundo dados do Ibama, entre o local do acidente em Mariana e a hidrelétrica existem 43,5 milhões de metros cúbicos de rejeitos, o equivalente a 17,4 mil piscinas olímpicas. O material está disposto nas barragens da Samarco de Fundão (a que se rompeu em novembro do ano passado) e Santarém, em diques, em área de Bento Rodrigues (o distrito de Mariana destruído na tragédia) e às margens de afluentes e do próprio Rio Doce. Há ainda, conforme o levantamento do Ibama, graves problemas de erosão em toda a área. O estudo acusou ainda atraso no reflorestamento da região atingida.
As obras e a recuperação ambiental estão a cargo da mineradora e do Instituto Renova. Participam também as controladoras da Samarco, Vale e BHP Billiton. As medidas a serem tomadas constam no acordo fechado entre as empresas, a União e os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. O termo está sendo contestado na Justiça pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais. Conforme a procuradoria, não houve participação da população atingida na decisão sobre as medidas a serem tomadas.
Em relação às obras, a presidente do Ibama, Sueli Araújo, afirma que serão suficientes, mas que o atraso, juntamente com o início das chuvas, traz um "desafio" para o momento. "Com a chuva você não sabe o que vai ocorrer entre Fundão (a barragem da Samarco que ruiu) e Candonga. "Reconhecemos o atraso. Não estamos falando que está bem. Falamos que está monitorado", diz Sueli. Há três estruturas de contenção com obras em andamento. O dique S4, o eixo um de Fundão e a barragem de Nova Santarém.
Segundo a presidente do Ibama, há problemas também quanto ao repasse de recursos previstos a municípios para investimentos em saneamento. Cerca de R$ 50 milhões de um total de R$ 500 milhões que já deveriam ter chegado a prefeituras às margens do Rio Doce não foram repassados. A justificativa foi o período eleitoral, segundo Sueli. Em função das chuvas, conforme a presidente do Ibama, existe a possibilidade de aumento da turbidez da água no Rio Doce, prejudicando a captação de água para consumo humano. Conforme a presidente do Ibama, um plano de ação emergencial será implantado para informar a população sobre cuidados a serem tomados em caso de aumento do carreamento de rejeitos para o Rio Doce e afluentes, o que pode aumentar a presença de metais pesados na água.

Samarco diz que obras de reforço estão concluídas

Em nota a Samarco afirmou que "as obras de reforço de segurança das estruturas remanescentes estão cem por cento concluídas. A construção da barragem de Nova Santarém no Complexo de Germano será finalizada em dezembro deste ano. O dique S4 teve suas obras iniciadas no final de setembro e deve ser concluído em janeiro de 2017. Todas as estruturas planejadas e em construção terão capacidade de reter o rejeito remanescente da barragem de Fundão".
O texto diz ainda que a mineradora "recuperou cerca de 800 hectares de vegetação até a Usina Risoleta Neves (Candonga) em Minas Gerais. O trabalho foi realizado em mais de cem quilômetros de extensão visando a reduzir as erosões às margens dos rios. Esta recuperação representa 100% do volume acertado pela empresa com os órgãos ambientais conforme cláusula 158 do Termo de Transação de Ajustamento de Conduta (TTAC) assinado em março deste ano".
Conforme a empresa "o trabalho de revegetação já está sendo reforçado e novas ações estão sendo implementadas até o Rio Gualaxo. Todas as ações são de conhecimento dos órgãos ambientais e também estão previstas no TTAC". A mineradora afirma estar trabalhando "24 horas na região de Candonga com turnos sucessivos, realizando serviços de dragagem e obras de contenção de rejeitos".

OESP, 26/10/2016, Metrópole, p. A15

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