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Ibama multa São Gonçalo

JB, Cidade, p. A22
15 de Abr de 2004

Ibama multa São Gonçalo
Prefeitura despeja lixo em área de preservação

SABRINA NETTO

Todos os dias, dezenas de adultos e crianças se acotovelam para pegar o melhor do lixo que chega ao depósito da Prefeitura de São Gonçalo, em Itaoca. O despejo de restos domésticos, hospitalares e até industriais é feito ao lado da Área de Preservação Ambiental (APA) de Guapimirim. Cercadas por um manguezal, hoje regado a chorume tóxico, famílias inteiras moram dentro da área do lixão, que agora avança sobre a área ambiental. Ontem, técnicos do Ibama multaram a prefeitura em R$ 2 milhões, depois de constatarem que o uso da área, além de não ser licenciado, está repleto de irregularidades.
Integrantes da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Alerj e ambientalistas identificaram quatro crimes ambientais durante uma vistoria realizada no local. De acordo com o presidente da comissão, deputado Carlos Minc (PT), a empresa ServiFlu e a Prefeitura de São Gonçalo serão enquadradas em quatro artigos da Lei Federal de Crimes Ambientais, número 9605/98. As infrações, somadas, podem gerar até R$ 10 milhões em multas e penas que chegariam a 17 anos e 6 meses de prisão.
Dezesseis técnicos, ecologistas e geólogos participaram da vistoria, em que foram apontados os seguintes crimes: destruir ou danificar vegetação de preservação permanente - no caso dos manguezais -, causar poluição que degrade a saúde humana ou o meio ambiente, gerar danos às unidades de conservação e fazer funcionar estabelecimento sem licença. Os relatórios com as irregularidades serão encaminhados ao Ministério Público federal.
- É um caos ecológico. Há cerca de 400 pessoas morando lá dentro. Flagramos crianças e jovens dos 13 aos 15 anos, sem máscaras, luvas ou sapatos, trabalhando no meio do lixo. Uma menina falou para mim que só quer estudar e não ter mais que dividir comida com os porcos. É, no mínimo, impactante - lamenta Minc, que pretende entrar com uma representação no MP federal denunciado trabalho infantil insalubre no local.
A comissão deverá investigar ainda o que foi feito com cerca de R$ 3 milhões recebidos pela prefeitura para a construção de um aterro sanitário e de uma usina no lixão, que fica às margens da Baía de Guanabara.

JB, 15/04/2004, Cidade, p. A22

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