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Ibama multa oito siderúrgicas no MA

GM, Gazeta do Brasil, p.B13
24 de out de 2005

Ibama multa oito siderúrgicas no MA

Penalização chega a R$ 500 milhões; companhias não comprovam origem de carvão vegetal.
Oito siderúrgicas do Maranhão e do Pará foram multadas em mais de R$ 500 milhões pelo Ibama. As multas foram aplicadas com base na Lei de Crimes Ambientais em razão das empresas não comprovarem a origem legal do carvão vegetal, utilizado nos fornos das indústrias de ferro-gusa e à falta de reposição florestal.
De acordo com o relatório elaborado pela Diretoria de Florestas do Ibama, as siderúrgicas consumiram 7,7 milhões de metros cúbicos de carvão ilegal e de 15,4 milhões de metros cúbicos de toras de madeira exploradas sem autorização nos últimos cinco anos, com base em dados apresentados pelas próprias siderúrgicas. O Ibama também visitou as usinas instaladas em Marabá (PA) e em Açailândia (a 566 quilômetros de São Luís), nos meses de maio e julho.
As empresas estão contestando as multas - que variam de R$ 12 milhões a R$ 53 milhões - por entenderem haver imperfeições no relatório do órgão, conforme avalia o secretário executivo da Associação das Siderúrgicas de Carajás (Asica), Luiz Correa. Ele cita como exemplo o fato da transformação do volume de carvão vegetal informado de toneladas para metros cúbicos.
Além de contestarem as multas, as siderúrgicas afirmam que buscam também garantir a auto-sustentabilidade do setor. A Asica entregou ao Ibama, semana passada, uma proposta na qual se comprometem em plantar 250 mil hectares de florestas de eucalipto para a produção de carvão vegetal, com resultados previstos em no máximo 10 anos.
Plantio de florestas
"Já temos plantados 96.158 hectares", diz Correa. Das 14 siderúrgicas do corredor Carajás, conforme destaca, três já estão atingindo a auto-sustentabilidade em relação à produção da matéria-prima.
O plantio de florestas de eucalipto vai ser gerido, segundo o secretário executivo, pelo Fundo Florestal Carajás, em reformulação no momento. De acordo com a proposta da Asica, as siderúrgicas pretendem iniciar o plantio, visando alcançar os 250 mil hectares, a partir de dezembro.
A meta é plantar em torno de 25 mil hectares por ano. Os recursos vão ser próprios de cada empresa. O custo estimado do plantio de floresta de eucalipto é de US$ 1,2 mil por hectare. Na falta de dinheiro, conforme afirma Correa, o plantio vai ser viabilizado por meio do fundo, que ao ser reformulado, vai passar a figurar como fundo florestal de investimentos para poder captar recursos, quem sabe até do exterior.
"Estamos nos preparando e vamos plantar de qualquer jeito. Queremos a salvação do setor, até por uma questão de reduzir custos", diz Correa, ao destacar as vantagens da utilização do eucalipto para a produção de carvão vegetal, entre as quais maior rentabilidade aos fornos.
"Todas as usinas siderúrgicas estão conscientes da necessidade de plantar para sobreviver", afirma. De acordo com a Asica, a produção prevista de ferro-gusa do corredor Carajás (Maranhão e Pará) até o final do ano é de três milhões de toneladas - cerca de 300 mil toneladas a mais do que o volume alcançado durante todo o ano passado (2,7 milhões/ton). Segundo Correa, o aumento não vai ser tão grande quanto o esperado em virtude da atual conjuntura do mercado.
kicker: Associação das Siderúrgicas contesta relatório de órgão federal e afirma que vai recorrer contra o valor das multas

GM, 24/10/2005, Gazeta do Brasil, p. B13

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