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Ibama mobiliza amanha a sociedade contra a poluição no Paraíba do Sul

O Globo, Rio, p.24
21 de mar de 2004

Ibama mobiliza amanha a sociedade contra a poluição no Paraíba do Sul
Um milhão de litros de esgoto sem tratamento vão diariamente para o rio

No Dia Mundial das Águas, que se comemora amanhã, surge uma luz no fim do túnel para a salvação do Rio Paraíba do Sul. Até as pequenas paróquias ao longo do rio, que é o principal manancial de água do estado, serão mobilizadas no Programa de Recomposição das Matas Ciliares do Estado do Rio. Com 1.100 quilômetros de extensão, o Paraíba do Sul recebe um milhão de litros de esgotos por dia e, mesmo assim, contribui com 80% da água da Estação de Tratamento do Guandu, que abastece o Rio.

O objetivo do Ibama, que coordenadorá a ação, é unir esforços de Rio, Minas Gerais e São Paulo, além da igreja, prefeituras, ONGs e a sociedade para reflorestar as margens do Paraíba do Sul com espécies da Mata Atlântica. O Ibama pretende ampliar a responsabilidade criminal de quem desmatar as margens do Paraíba ou poluir o rio, cujas águas abastecem 12 milhões de pessoas.

O programa para salvar o Paraíba do Sul será lançado dias 28, 29 e 30 de abril, no Rio, num seminário organizado pelo Ibama. O evento terá a participação da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que também luta pela preservação dos recursos hídricos no país. O gerente regional do Ibama no Rio, Édson Bedin, adverte que, com o desmatamento e a poluição de rios, os mananciais estão cada vez mais escassos no mundo:

- O abastecimento de água do Grande Rio está sob risco. Em alguns momentos, quando o nível do rio fica muito baixo, é impossível tratar a água para consumo humano, devido ao elevado índice de poluição.

Para o prefeito de Resende, Eduardo Meohas (PT) , que também é presidente do Comitê Para a Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), a salvação do rio está no reflorestamento e, por parte das prefeituras, no trabalho de contenção de encostas e tratamento do esgoto.

DEVASTAÇÃO TORNA CRÍTICA A SITUAÇÃO DO RIO E AFLUENTES
População ribeirinha será chamada a rever hábitos agropecuários

O prefeito Eduardo Meohas adverte que a situação do Paraíba do Sul é crítica. Com a devastação de matas e da vegetação rasteira, as águas das chuvas não são retidas para abastecer os lençóis freáticos que alimentam os mananciais do rio. As águas das chuvas se transformam em enxurradas, arrastando tudo para os afluentes do Paraíba, e para o leito do próprio rio, reduzindo sua calha.

- Somente o reflorestamento das margens pode impedir isso --- afirma Meohas

Professor titular do Departamento de Ecologia da UFRJ, Francisco Esteves observa que a salvação do Paraíba é importante para milhões de pessoas nos estados do Rio, São Paulo e Minas Gerais:

- Não há outro manancial para abastecer centenas de cidades dos três estados. Além disso, o Paraíba faz parte de um ecossistema que contém centenas de espécies de plantas e animais, algumas ainda desconhecidas pela ciência.

Programa pretende evitar agrotóxicos no rio

O gerente do Ibama no Rio, Édson Bedin, explica que os proprietários ribeirinhos serão chamadas para um ajustamento de conduta. Eles terão que aderir ao programa de reflorestamento e mudar os hábitos na pecuária e nas plantações, para evitar que resíduos de agrotóxicos cheguem ao rio. Com apoio da Feema e das prefeituras, serão feitas ações para controle da poluição provocada pelo esgoto e e por lixões que funcionam a céu aberto ao longo do Paraíba.

- O objetivo do programa é criar uma faixa permanente de preservação do Paraíba. Num trecho em que o rio tenha dez metros, por exemplo, a faixa de proteção terá no mínimo 30 metros de cada lado. Além disso, o Ibama irá aos municípios com seus técnicos para produzir um cadastro de fontes poluidoras. A intenção é evitar acidentes ambientais - adianta Bedin, acrescentando que São Paulo e Minas Gerais também vão participar do programa para salvar o rio.

A estratégia usada no Paraíba também será usada no Rio São João, que abastece a Baixada Litorânea, e no Rio Macacu, principal manancial de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Paquetá. Na ação de emergência, as margens serão demarcadas para reflorestamento, com espécies da Mata Atlântica, e para que a natureza regenere a mata. O projeto do Ibama também prevê auxílio técnico aos hortos municipais, estimulando-os a produzir mudas para o reflorestamento dos rios.

- A intenção do Ibama é dar uma linha de desenvolvimento sustentável ao Rio Paraíba do Sul. A insustentabilidade dos ciclos do café, da cana-de-açúcar e da pecuária deixou para trás a erosão, a poluição e a degradação do Vale do Paraíba - conclui Bedin.

O Globo, 21/03/2004, Rio, p. 24

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