OESP, Geral, p. A13
19 de Mar de 2004
Ibama combaterá caramujo invasor
Molusco africano chegou ao Brasil como alternativa ao escargot, mas virou praga
EVANILDO DA SILVEIRA
O mexilhão dourado - molusco originário da Ásia que infesta os rios e lagos da Região Sul e do Pantanal - não é o único invasor que preocupa as autoridades ambientais do Brasil. O Ibama está às voltas com outra espécie exótica: o caramujo gigante africano (Achatina fulica). Para achar formas de controlá-lo, o órgão iniciará, no dia 3, um programa piloto em Parnamirim (RN).
O caramujo nativo da África é um molusco terrestre, que atinge 15 centímetros de comprimento por 8 de largura e mais de 200 gramas. Foi introduzido no Brasil há cerca de 20 anos como alternativa econômica ao escargot verdadeiro (Helix aspersa). A experiência não deu certo. "Dez anos depois, descobriu-se que ele podia transmitir doenças", conta Rômulo Mello, diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros, do Ibama. "Os criadores, então, soltaram o animal na natureza. Ele se proliferou e hoje é encontrado em quase todo o território nacional, principalmente no Nordeste."
Além de transmitir vermes, que causam a angiostrongilíase meningoencefálica, doença que tem como sintomas dor de cabeça forte e constante, rigidez na nuca e distúrbios do sistema nervoso, o caramujo tornou-se uma praga. Ele destrói plantações, come frutas e legumes, além de competir com outros moluscos da fauna nativa, podendo levá-los à extinção.
Por isso o Ibama quer exterminá-lo. "Vamos começar por Parnamirim em razão da alta incidência do molusco na cidade", explica Mello. Diariamente, os caramujos serão catados, esmagados com rolo compressor e enterrados a 1,5 metro de profundidade, com cal virgem, para evitar a contaminação do lençol freático. O trabalho deve durar de 30 a 60 dias. Depois, o método será adotado em todo o Brasil.
OESP, 19/03/2004, Geral, p. A13
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